O transporte de órgãos para transplante ainda é feito, em muitos casos, com caixas térmicas cheias de gelo, prática que pode danificar o tecido. A afirmação é de Lidia Linck, chief strategy officer e sócia fundadora da Biotecno, que alerta sobre riscos de necrose quando o contato do gelo chega ao órgão.
A executiva apresentou a solução desenvolvida pela empresa: o TAURA, um equipamento refrigerado capaz de manter a temperatura estável durante o trajeto. Segundo Linck, esse método reduz as chances de disfunção do enxerto durante o transporte.
Ela cita um caso na Itália envolvendo um coração que percorreu cerca de 900 quilômetros em caixa com gelo seco, destacando que o uso de soluções tradicionais pode comprometer o órgão. Equipamentos no exterior costumam usar gelo nas paredes, são descartáveis e caros para o Brasil.
O TAURA funciona como um mini refrigerador com compressor, operando em bateria, na rede elétrica ou conectado a aeronaves. A tecnologia já chegou a manter o coração a 8°C por até 10 horas, segundo a Biotecno.
A empresa diz que está em estudo de casos com o Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, e com o InCor, em São Paulo. Resultados preliminares apontam menor tempo de internação na UTI pós-transplante e redução na taxa de rejeição quando o órgão é transportado com temperatura estável.
A executiva afirma que o TAURA pode reduzir perdas de órgãos e ampliar o raio de captação, contribuindo para diminuir filas. Ela ressalta que o equipamento já é um produto comercializável, com registro na Anvisa e certificações internacionais, além de já possuir interesse de outros países.
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