Os proprietários de Peugeot 3008 e 5008 no Brasil relatam um defeito recorrente no motor 1.6 THP, associado a consumo excessivo de óleo e carbonização interna que, em alguns casos, levou à substituição completa do motor. A origem do problema envolve veículos importados da Europa, com relatos também em modelos da Citroën.
Segundo relatos coletados pela reportagem, o defeito aparece mesmo em carros com revisões em concessionárias e quilometragem relativamente baixa. Em cerca de 50 situações apuradas, a maioria envolve o 3008, dada a maior circulação do modelo no Brasil. Em aproximadamente 20 casos, a solução foi a substituição do motor, enquanto outros envolveram custo compartilhado com a concessionária.
A Stellantis, por meio da Peugeot, afirmou que a rede de concessionárias está preparada para avaliar cada caso individualmente, com diagnóstico técnico criterioso e conforme os procedimentos de pós-venda e as condições de garantia vigentes. A empresa não detalhou critérios consistentes para todos os casos.
Por que acontece o problema
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a falha costuma ter origem nos retentores de válvulas, que devem impedir a passagem de óleo para a câmara de combustão. Quando retentores perdem eficiência, o óleo é queimado, contribuindo para a carbonização dos pistões e dos anéis de segmento, o que aumenta o consumo de óleo.
Segundo o diagnóstico técnico apresentado, os modelos anteriores a 2023 podem já ter retentores desatualizados. A atualização chegou a partir do último THP lançado, em 2023, com componentes que cobrem toda a área interna. Em carros com retentores antigos, o óleo pode infiltrar-se e agravar a carbonização.
O reparador destaca que a carbonização se acumula ao longo do tempo, afetando a compressão e ampliando o consumo de óleo. Em veículos com manutenção negligenciada, o problema pode evoluir rapidamente, mesmo com substituição de retentores.
Impacto na manutenção e nos custos
A prática de troca de óleo inequívoca, aliada a combustíveis de maior qualidade, pode retardar a evolução do problema, segundo especialistas. Entrega de óleo a cada 5.000 km ou seis meses é comum em carros novos, mas nem sempre ocorre assim na prática, o que agrava o quadro em alguns casos.
Carros com histórico de revisões completos, porém com falha no motor, geram dúvidas sobre consistência das políticas de garantia e sobre a uniformidade de critérios adotados pela fabricante. Proprietários relatam experiências distintas, incluindo cortesias integrais, pagamento de mão de obra ou recusa de cobertura, para o mesmo defeito.
O que envolve o caso no âmbito do consumidor
A discussão jurídica envolve o conceito de vício oculto, com prazos de reclamação variando conforme a percepção do defeito se tornar evidente. Há relatos de clientes que consideram injusta a diferenciação entre casos semelhantes, o que alimenta uma percepção de inconsistência na resposta da fabricante.
Entre os proprietários, alguns aguardam uma solução integral que envolva peças, mão de obra e apoio documental, sem custos adicionais. A Stellantis afirma que está ativamente buscando soluções, mas ainda não apresentou uma explicação pública uniforme sobre os critérios aplicados.
A Peugeot não confirmou a existência de uma política única para todos os casos, solicitando acesso aos clientes ouvidos pela reportagem. Um dos proprietários citados pela empresa alega não ter sido contatado e que a reclamação no Procon permanece sem resposta.
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