Um fragmento de tecido foi suficiente para confirmar uma suspeita antiga: a púrpura de Tiro, o corante mais precioso da Antiguidade, chegou a York, no norte do Império Romano, e foi usado em funerais de bebês. A descoberta foi feita por arqueólogos e químicos da Universidade de York.
Os vestígios foram encontrados em dois túmulos romanos da cidade, datados do final do século III ou início do IV d.C. Os caixões, de pedra e de chumbo, continham tecidos tingidos com o pigmento e ornamentados com fios de ouro. A identificação ocorreu por meio de análises de espectrometria de massa.
O estudo integra o projeto Seeing the Dead e contou com a liderança da professora Maureen Carroll. As pesquisadoras Jackie Mosely e Jennifer Wakefield conduziram as análises químicas que confirmaram a presença da púrpura de Tiro no tecido.
Pouco-investigada até hoje, a prática revela que famílias ricas de York mantinham redes comerciais longínquas, conectando a cidade a fornecedores do Mediterrâneo. A descoberta mostra, ainda, que o corante chegou a usos cerimoniais envolvendo recém-nascidos.
A púrpura de Tiro é obtida de moluscos do gênero Murex e exige grande quantidade de matéria-prima para produzir pequenas quantidades de pigmento. Sua tonalidade arroxeada era resistente e simbolizava poder e autoridade na Roma antiga.
A constatação de que o corante figurou em sepulturas infantis sugere o valor atribuído às crianças. A prática funerária com uso de gesso líquido, que selou a cápsula de tecido, permitiu conservar traços químicos por quase dois milênios.
Essa evidência reforça a ideia de que a York romana mantinha laços comerciais sofisticados com o exterior do império. O achado amplia o entendimento sobre luxo, economia e costumes funerários na região.
Entre na conversa da comunidade