O Google implementou nesta terça-feira (8) mudanças em seus resultados de busca na Europa para cumprir as regras antitruste da União Europeia (UE) e evitar novas multas. A empresa, controlada pela Alphabet, afirma que as alterações vão piorar a experiência dos usuários e aumentar os custos para as empresas.
Um representante do Google disse que as mudanças representam a maior redução na qualidade do mecanismo de busca em seus 29 anos de história.
Segundo a companhia, a União Europeia apresentou as alterações como uma forma de criar condições mais equilibradas para as empresas anunciarem. O Google, porém, considera que o novo formato favorece sites de comparação de preços, conhecidos como serviços de busca vertical (VSS, na sigla em inglês).
Esses serviços atuam em setores como hotéis, companhias aéreas e restaurantes. Entre os exemplos estão Expedia e Booking.com, que passarão a receber maior destaque nos resultados de busca.
As empresas desses setores aparecerão apenas com links para seus sites, números de telefone e endereços.
Novos resultados terão menos informações
Com a reformulação, um mecanismo de busca especializado aparecerá no topo da página. Outros dois serviços semelhantes serão exibidos logo abaixo, mas com menos detalhes.
Na sequência, o Google mostrará um carrossel com hotéis, companhias aéreas e restaurantes, por exemplo. Esse espaço não terá recursos considerados importantes, como preços atualizados em tempo real. A posição de cada resultado será definida pelo algoritmo do Google.
“Para cumprir os requisitos da DMA, estamos fazendo mudanças significativas na Pesquisa na Europa”, disse Nick Fox, vice-presidente sênior de conhecimento e informação do Google.
“Essas mudanças prejudicam a experiência do usuário para os europeus — favorecendo intermediários online em detrimento das empresas locais e removendo recursos úteis com os quais as pessoas contam no dia a dia. Usuários fora da UE não serão afetados por essas mudanças”, disse.
O Google informou que testou o novo formato com milhões de usuários na Europa. Segundo a empresa, os testes apontaram um alto nível de insatisfação, pois as pessoas precisaram redigitar as consultas para encontrar o conteúdo desejado.
A companhia também afirmou que alterações anteriores feitas para cumprir a legislação europeia provocaram uma queda de 30% no tráfego de reservas diretas e gratuitas para empresas da Europa. A expectativa do Google é que as novas mudanças também prejudiquem esses negócios.
Google pode receber multas periódicas
Em julho, a União Europeia multou o Google em 460 milhões de euros por favorecer seus próprios serviços nos resultados de buscas sobre compras, hotéis, transporte e esportes.
Segundo as autoridades europeias, a prática violou a Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês), criada para limitar o poder das grandes empresas de tecnologia.
A Comissão Europeia deu prazo de 60 dias para que o Google cumprisse as exigências da DMA. Em caso de descumprimento, a companhia poderia receber multas periódicas equivalentes a até 5% de seu faturamento mundial total.
Ao longo de quase duas décadas, o Google acumulou 10,38 bilhões de euros em multas antitruste aplicadas pela União Europeia.
As punições provocaram críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele ameaçou abrir uma investigação sobre o “roubo” que, segundo ele, o bloco europeu estaria cometendo contra empresas norte-americanas.
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