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Ações de IA caem após CEOs pedirem freio no desenvolvimento da ferramenta

Executivos alertaram sobre ameaças à humanidade, uso indevido da tecnologia e possíveis prejuízos bilionários

Foto de um gráfico de economia caindo em vermelho com com setas e números negativos com um cérebro e um simbolo de IA em volta
CEOs de empresas de IA alertam sobre o desenvolvimento acelerado de IA (Créditos: Imagem gerada por IA)

As ações de empresas ligadas à inteligência artificial registraram queda nesta segunda-feira (14), depois que os CEOs das principais companhias americanas do setor defenderam uma desaceleração no desenvolvimento dos modelos mais avançados para reduzir ameaças à humanidade.

Durante o pregão nos Estados Unidos, os futuros do índice Nasdaq 100 recuavam 0,81%. No Japão, as ações da SoftBank, investidora da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, fecharam em baixa de 10,72% após caírem até 13,2%.

Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, publicou no sábado um longo ensaio no X no qual pediu às empresas do setor que reduzissem o ritmo de avanço das capacidades dos modelos diante do temor crescente de uso indevido da inteligência artificial. Elon Musk, que dirige a xAI, e Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, concordaram com Amodei.

O executivo da Anthropic afirmou que, em seis a 12 meses, agentes de IA “poderiam ser capazes de assumir o controle de toda a internet, causando potencialmente centenas de bilhões de dólares em danos”.

Altman também anunciou que a OpenAI não seguirá adiante com uma oferta pública inicial de ações (IPO) neste ano devido a preocupações com a segurança.

Empresas de chips também registram perdas

No Japão, a fabricante de chips de memória Kioxia encerrou o pregão com queda de 6,37%, depois de recuar inicialmente 9,8%. A Tokyo Electron, que integra a cadeia de suprimentos de chips, perdeu 1,03%.

Em Taipé, as ações da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company fecharam em baixa de 1,24%. Na Coreia do Sul, a SK Hynix caiu 6,35%, enquanto a Samsung Electronics recuou 4,05%.

Em Xangai, a fabricante de chips de memória CXMT perdeu 3,95%, e a Semiconductor Manufacturing International Corporation caiu 2,84%.

Na Bolsa de Hong Kong, a Zhongji Innolight fechou em baixa de 8,55%, enquanto a Minimax recuou 6,52%. As ações da Z.ai, desenvolvedora da série GLM AI, despencaram 9,08% após uma colocação de ações com desconto.

Executivos classificam riscos como “inaceitáveis”

A Anthropic, sediada em San Francisco, divulgou na quinta-feira (10) um relatório de inteligência de ameaças que detalhou como diferentes agentes usaram os modelos de IA Claude em atividades como desenvolvimento de armas, operações cibernéticas, vigilância e fraudes.

A preocupação com os possíveis danos da tecnologia aumentou após a renúncia do pesquisador da Anthropic Jacob Coxon. Ao deixar a empresa, ele afirmou que “as pessoas que estão desenvolvendo a IA acreditam sinceramente que ela pode matar a todos nós até o final da década”.

Em uma entrevista, Altman classificou como “inaceitáveis” os riscos de extinção humana associados à inteligência artificial.

Parlamentares dos Estados Unidos também demonstraram preocupação com o avanço acelerado da tecnologia e pediram novas regras. No domingo (13), porém, o presidente Donald Trump comparou os críticos da IA a “forças muito negativas” que apresentam cenários que não acontecerão. Trump afirmou ainda que pretende garantir a liderança americana no setor.

Os negócios relacionados à inteligência artificial impulsionaram grande parte da valorização do mercado acionário mundial desde o lançamento do ChatGPT pela OpenAI, em 2022. Mais recentemente, ataques cibernéticos realizados por agentes de IA rebeldes e a insatisfação pública com a construção de centros de dados ampliaram a oposição ao desenvolvimento do setor.

Os governos dos Estados Unidos e da China devem discutir a segurança da inteligência artificial durante as conversas bilaterais previstas para este mês, segundo duas pessoas a par dos planos.

Investidores divergem sobre impacto dos alertas

Parte dos investidores minimizou as declarações da Anthropic e da OpenAI. Michael Burry, conhecido pelas apostas contra o mercado imobiliário americano antes da crise financeira de 2008, retratadas no filme “The Big Short”, afirmou no X que os alertas eram “exagero e propaganda” e “uma desculpa para encobrir uma desaceleração real e incontrolável do crescimento”.

Outros participantes do mercado avaliam que as declarações podem continuar pressionando o setor.

“No curto prazo, esses alertas ainda podem pesar sobre as ações de IA e de semicondutores”, disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos do Saxo Bank em Cingapura.

“Suas avaliações pressupõem tanto uma forte demanda quanto um ritmo implacável de progresso tecnológico”, disse ela. “Quando as expectativas são tão altas, até mesmo um possível atraso pode desencadear realizações de lucros.”

Para Sebastien Mallet, gestor de portfólio da T. Rowe Price em Londres, a principal dúvida dos mercados é quem obterá retorno sobre todo o capital investido na construção de novas capacidades para a inteligência artificial.

“Não há dúvida de que a IA mudará o mundo”, disse ele. “Mas isso não significa necessariamente que todos os investimentos realizados hoje gerarão um retorno atraente.”

(Com informações da Reuters)

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