Fragmentos de ossos e unhas femininas, preservados desde 1963, podem finalmente esclarecer o desaparecimento de Dana de Teffé, milionária tcheca sumida desde 1961. O advogado Leopoldo Heitor, último a vê-la, é o principal suspeito do caso.
Os restos mortais, que incluem três unhas com esmalte vermelho, foram encontrados em um sítio ligado a Heitor, que alegou ter sido assaltado na rodovia ao levar Dana para um emprego em São Paulo. A milionária, que chegou ao Brasil em 1951, era fluente em seis idiomas e tinha um passado misterioso, incluindo rumores de que teria sido espiã durante a Guerra Fria.
Dana foi vista pela última vez em 29 de junho de 1961. Após sua partida, Heitor começou a vender seus bens e a movimentar suas contas bancárias, levantando suspeitas. O professor Oscar Stevenson, defensor de Heitor em um caso anterior, foi um dos primeiros a perceber que algo estava errado. O desaparecimento foi registrado na polícia apenas oito meses depois.
Em 1962, Heitor foi indiciado por latrocínio e apresentou várias versões sobre o que teria acontecido com Dana. Ele alegou que ela havia viajado para a Europa, que ambos foram assaltados ou que ela foi sequestrada. As investigações revelaram que Dana nunca deixou o Brasil.
As escavações em seu sítio resultaram na descoberta de uma ossada feminina, mas a identificação não foi conclusiva. Os fragmentos preservados podem agora ser analisados por meio de exames de DNA, que podem esclarecer o caso, caso um parente compatível se apresente. O perito legista João Branco confirmou a viabilidade dos testes.
O caso de Dana de Teffé permanece um dos mais intrigantes da crônica policial brasileira. A mão com esmalte vermelho continua preservada nos autos do processo, enquanto a família de Leopoldo Heitor não se manifestou sobre os novos desdobramentos.
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