Em setembro de 2023, sismógrafos detectaram uma oscilação anômala em um fiordo da Groenlândia, resultante de um deslizamento de rochas e gelo que provocou um megatsunami. Uma pesquisa publicada na revista Nature Communications confirmou que a onda do tsunami se estabilizou em uma onda estacionária por mais de uma semana, atingindo 7,9 metros de altura.
O evento, que ocorreu em 16 de setembro, foi classificado como anômalo por duas razões. Primeiro, o megatsunami foi causado por um deslizamento de terra relacionado ao aquecimento global, que também provocou um segundo evento em 11 de outubro, com ondas de até 200 metros. Segundo, a duração da onda estacionária foi incomum, persistindo por mais de uma semana.
Os pesquisadores utilizaram dados do satélite SWOT (Topografia Oceânica e Aguas Superficiais), lançado em 2022, para mapear a elevação do fiordo Dickson. As análises mostraram variações de altura de até dois metros, indicando que a água se movia para frente e para trás, semelhante a um seiche, fenômeno observado em lagos alpinos.
O professor da Universidade de Oxford, Thomas Monahan, destacou que o deslizamento de terra foi impulsionado pelo colapso de um glaciar em aquecimento. A pesquisa sugere que o aquecimento global está contribuindo para a instabilidade dos glaciares, aumentando o risco de eventos extremos na região do Ártico.
Os cientistas alertam que, embora seja difícil prever novos eventos semelhantes, o Ártico está passando por mudanças rápidas devido ao aquecimento global. O estudo reforça a necessidade de monitoramento contínuo para entender melhor as consequências do derretimento dos glaciares e suas implicações para o ambiente.
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