Ana Amorim, artista brasileira de arte conceitual, é tema de uma grande exposição no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP). A mostra, que destaca sua trajetória desde os anos 1980, aborda questões sociais e políticas, refletindo um novo reconhecimento no circuito artístico.
Amorim desenvolve suas obras a partir de regras pessoais, evitando a comercialização e o mercado de arte tradicional. Em 1988, a artista começou a desenhar mapas em um caderno, representando seus deslocamentos diários. Esses registros foram transformados em telas e bordados, utilizando códigos numéricos que representam sua idade e o tempo. “A forma não é tão importante. Não sei que cara vai ter e não me importa muito”, afirma.
Após anos de exclusão do sistema de arte, devido à sua postura radical, Amorim voltou a se relacionar com galerias em 2019. Ela acredita que a arte deve fluir livremente, sem as amarras do capitalismo. Para se sustentar, a artista trabalhou como professora e continuou a criar com materiais acessíveis, como papel e tecido.
A exposição no MAC inclui obras que refletem sua crítica ao sistema econômico, como um mural de 2001 que aborda políticas do Fundo Monetário Internacional. Além disso, vídeos que documentam contagens de segundos em locais de ataque, como a Cinemateca Brasileira, também estão em exibição. O organizador da mostra, Jacopo Crivelli Visconti, destaca que o trabalho de Amorim é definido por sua produção, não pela validação do mercado.
A arte conceitual, que prioriza a ideia sobre a forma, enfrenta desafios no Brasil, onde artistas experimentais muitas vezes são excluídos de galerias e museus. No entanto, há um crescente interesse por parte de novos colecionadores em explorar obras que vão além da estética visual. A exposição de Ana Amorim, que ficará em cartaz até 5 de outubro, é uma oportunidade para refletir sobre a importância da arte conceitual na contemporaneidade.
Entre na conversa da comunidade