A importância do trabalho de cuidados não remunerado realizado por mulheres e meninas na América Latina e no Caribe é amplamente reconhecida, mas frequentemente ignorada nas políticas públicas. Iniciativas inovadoras estão sendo implementadas em diversas cidades da região, como o mapeamento do cuidado em Lima Norte e o Sistema Integral de Cuidados em Quito, que visam redistribuir essa responsabilidade.
Milhões de mulheres e meninas sustentam a vida cotidiana, realizando tarefas essenciais como cozinhar, cuidar e educar. Esse trabalho, embora vital, é frequentemente invisibilizado e não é reconhecido como uma responsabilidade social. A ONU Mulheres tem promovido a discussão sobre a importância dos cuidados, enfatizando que eles devem ser tratados como um pilar do desenvolvimento sustentável.
Em Lima Norte, um consórcio de organizações e governos locais mapeou as rotas que as mulheres percorrem diariamente, revelando que elas caminham até cinco quilômetros entre serviços essenciais. Com essas informações, foram propostas melhorias nos serviços e na infraestrutura urbana. Em Quito, o Sistema Integral de Cuidados está articulando serviços para dependentes e cuidadoras, tanto em áreas urbanas quanto rurais.
Em Bogotá, as “manzanas do cuidado” se tornaram um modelo internacional ao integrar formação, saúde e lazer para mulheres sobrecarregadas. Essas políticas não apenas atendem mulheres em idade laboral, mas também adolescentes que enfrentam a responsabilidade de cuidar de outros, limitando suas oportunidades de educação e lazer.
Experiências transformadoras também emergem em El Salvador e Guatemala, onde lideranças comunitárias realizaram diagnósticos participativos para evidenciar a falta de serviços adequados e a informalidade no trabalho de cuidados. Essas vozes, muitas vezes excluídas, agora são protagonistas nas agendas públicas.
A ONU Mulheres, em parceria com a AECID, está implementando o programa regional “Transformando as economias”, que busca o reconhecimento e a redistribuição do trabalho de cuidados na América Latina e no Caribe. A transformação estrutural requer colaboração entre governos, organizações feministas e acadêmicos, visando um modelo de desenvolvimento que coloque os cuidados no centro das políticas públicas.
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