Uma investigação do Ministério Público de São Paulo revelou um esquema de corrupção na Organização Social Mahatma Gandhi, que gerencia unidades de saúde em cinco estados. A operação, iniciada em agosto, apura suspeitas de desvios de R$ 1,6 bilhão em contratos de saúde.
Recentemente, 12 pessoas foram presas, incluindo diretores da organização, que teriam criado um “departamento de propina”. As investigações indicam que a cúpula da Mahatma Gandhi estava ciente da operação e tentou apagar dados antes da ação policial. Mensagens encontradas durante as buscas mostram orientações para evitar a presença na sede e eliminar informações.
Estrutura do Esquema
O Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) identificou que diretores da Mahatma abriram empresas de fachada, transferindo a titularidade a terceiros, incluindo pessoas em situação de rua. O esquema visava expandir contratos e desviar recursos públicos, com a sede em Catanduva (SP) centralizando as operações.
A Justiça nomeou uma administradora judicial para a organização, após a Promotoria afirmar que a gestão anterior institucionalizou a malversação de recursos públicos, causando danos significativos aos serviços de saúde.
Indícios de Conluio
Promotores suspeitam que a liderança da Mahatma Gandhi possuía conexões com o sistema de justiça e segurança pública, evidenciado por informações vazadas antes da operação. Além disso, o sistema de notas fiscais da organização ficou fora do ar um dia antes da ação, dificultando a investigação.
Um dos alvos, Sildiney Gomes da Costa, fugiu na madrugada da operação e já havia sido preso anteriormente por desvios na saúde. Ele é apontado como responsável por introduzir o modelo criminoso a outros diretores, que também estão detidos.
Irregularidades Financeiras
A investigação também destaca um empréstimo de R$ 11 milhões feito por Vinícius Delalibera, um dos presos, à Mahatma em nome da empresa Dalla’s, considerada central no esquema. O Gaeco aponta que a transação carece de lógica econômica e envolve manobras de lavagem de dinheiro.
Delalibera, que já teve cargo formal na Mahatma, é acusado de ser um diretor oculto da organização. A defesa dele não comentou o mérito do caso, alegando dificuldades de acesso aos autos. A operação continua em andamento, com novos desdobramentos esperados.
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