Um novo estudo publicado na revista *Nature* revela que a capacidade da Terra para armazenar dióxido de carbono (CO₂) é significativamente menor do que se acreditava anteriormente. A pesquisa indica que o planeta pode armazenar apenas 1.460 gigatoneladas de CO₂, em comparação com as estimativas anteriores que variavam entre 10.000 e 40.000 gigatoneladas. Essa descoberta é crucial para as estratégias de mitigação das mudanças climáticas.
Os pesquisadores, liderados por cientistas do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados, na Áustria, calcularam que a Terra possui uma reserva física de 11.800 gigatoneladas de CO₂. No entanto, ao considerar fatores como o risco de vazamentos devido a terremotos e restrições políticas, a capacidade utilizável cai drasticamente para 1.460 gigatoneladas. Mesmo que essa quantidade seja utilizada exclusivamente para remover CO₂ da atmosfera, a redução do aquecimento global seria limitada a apenas 0,7 °C.
Desafios para o Acordo de Paris
Para cumprir as metas do Acordo de Paris de 2015, que visa limitar o aquecimento global a 1,5–2 °C acima dos níveis pré-industriais, será necessário remover grandes quantidades de CO₂ da atmosfera. Atualmente, as tecnologias de captura e armazenamento de carbono conseguem remover apenas 49 milhões de toneladas de CO₂ anualmente, com uma capacidade planejada de 416 milhões de toneladas por ano. Para atingir as metas, esse número precisaria aumentar para 8,7 gigatoneladas por ano até meados do século, representando um aumento de 175 vezes.
O estudo também alerta sobre os riscos associados ao armazenamento de CO₂. Se o gás escapar para a superfície, pode formar ácido carbônico na água subterrânea, potencialmente liberando metais tóxicos que prejudicam a saúde humana e o meio ambiente. As tendências atuais indicam que o aquecimento global pode aumentar até 3 °C neste século, mesmo com o uso total do armazenamento geológico identificado.
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