Brasil pode liderar transformação dos sistemas alimentares globais
Durante o painel “Sistemas Alimentares e Clima” na Brazil Climate Week, especialistas destacaram a oportunidade do Brasil em liderar a transformação dos sistemas alimentares. O evento, promovido pelo Pacto Global da ONU em Nova Iorque, abordou o paradoxo do país: um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas responsável por 74% das emissões de gases de efeito estufa na cadeia produtiva alimentar, principalmente devido à agropecuária e ao desmatamento.
Isabella Marras, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, enfatizou que o Brasil está em um momento decisivo. A forma como produz, distribui e consome alimentos é central na crise climática, mas também é a chave para a solução. A COP30, que ocorrerá em Belém, foi citada como um palco ideal para demonstrar essa transformação. Marras propôs que 30% dos alimentos servidos na conferência venham da agricultura familiar e da sociobiodiversidade amazônica, injetando R$ 3,3 milhões na economia local.
A importância de práticas sustentáveis foi reforçada por Carolina Carregaro, da Nestlé, que destacou a assistência técnica a 10 mil produtores parceiros. Ela afirmou que o setor precisa ir além da sustentabilidade, buscando regeneração e mensurando o impacto real das transformações. Luciana Nicola, do Itaú Unibanco, ressaltou que o arcabouço regulatório brasileiro é um diferencial competitivo, permitindo canalizar recursos para uma agricultura mais sustentável.
Antonio Meirelles, da Mosaic, abordou a necessidade de universalizar práticas e tecnologias que reduzam emissões. Ele defendeu a combinação de conhecimento tradicional e inovação tecnológica para aumentar a eficiência na produção. O painel concluiu que a transição ecológica deve se refletir no cotidiano, transformando o ato de comer em um ato político que conecta produção sustentável, cultura alimentar e saúde.
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