Iain Peters, de 77 anos, quebrou o silêncio sobre abusos sexuais que sofreu entre os 9 e 13 anos. O caso envolve o apresentador John Earle, então professor de geografia e supervisor de um internato em Okehampton, Devon. O abuso ocorreu semanalmente quando Earle atuava no colégio hoje fechado.
Earle, que mais tarde apresentou programas infantis como Treasure House e Tom Tom e trabalhou como contador de histórias na série Jackanory, foi condenado em 2017 a quatro anos de prisão após admitir seis acusações de abuso indecente.
Peters só revelou o caso em 2015, após denúncia à polícia. A partir daí, Earle reconheceu as acusações em julgamento. O processo marcou a origem de Peters em lançar uma memória sobre as consequências do trauma.
A vida após o trauma
O autor, que já foi marceneiro, depois tornou-se escritor comercial e mora na costa norte de Devon. Seu livro The Corridor descreve como a escalada ajudou a enfrentar o trauma vivido na infância. Em novembro, a obra ganhou o Boardman Tasker Award.
Peters afirma que a escalada atuou como ferramenta terapêutica, permitindo lidar com PTSD ao longo de décadas. Segundo ele, a prática empurrava seus limites, porém ajudou a manter a sanidade e a dar sentido à vida.
Perspectiva e impacto
O sobrevivente diz que a escalada permitiu dissociar-se do abuso para manter-se vivo. A experiência o levou a viajar pelo mundo, de Alpes a Himalaias, e até a Cordillera Darwin, na fronteira entre Chile e Argentina.
O objetivo do autor é que seu relato sirva de farol para outras vítimas. Peters defende uma cultura social que elimine vergonha e culpa, incentivando o acesso a ajuda e o acolhimento de jovens que passaram por abusos.
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