O siPhuthi, falado por cerca de 1.000 pessoas no vale remoto de Daliwe, em Lesoto, conquistou reconhecimento oficial, além de um dicionário e uma tradução da Bíblia. A reativação é fruto de pesquisa e ativismo de linguistas e parceiros locais.
Desde 2016, pesquisadores visitam o vale com regularidade para documentar a língua ao lado de intérpretes e defensores, garantindo registro de usos em casamentos, funerais, receitas e memórias. O grupo Libadla le baPhuthi acompanha a mobilização cívica pela aprovação oficial.
Na prática, o trabalho envolve coleta de vídeo, formação de comunidades e debates sobre uma grafia padronizada. One de 40 horas de material já foi registrado, subsidiando o dicionário previsto para o próximo ano e o levantamento de falantes.
Reconhecimento e impactos
Em 2019-2022, oficinas com comunidades definiram uma ortografia acordada. Hoje, obras de tradução da Bíblia estão sendo produzidas por uma equipe treinada, com Genesis, Romanos e Lucas concluídos e Mateus em andamento. O projeto usa áudio e textos escritos.
A oficialização de siPhuthi, anunciada em agosto, elevou o status da língua ao lado do Sesotho e da língua de sinais. A mudança visa ampliar a presença educativa e cultural, incluindo a adoção escolar do idioma.
Desafios e perspectivas
Especialistas ressaltam que a sobrevivência depende de transmissão intergeracional e de políticas públicas. A comunidade afirma que a educação em siPhuthi pode melhorar o desempenho escolar e a identidade cultural, especialmente para crianças.
Antes do reconhecimento, muitos moradores não tinham consciência de que siPhuthi era falado no vale. Hoje, relatos indicam orgulho renovado entre alunos, professores e líderes comunitários envolvidos no projeto.
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