Os dados de aluguel de plataformas usadas por corretores na Austrália ficaram expostos em hyperlinks acessíveis online, aponta uma análise de sete serviços de aluguel. Informações de locatários e proprietários, incluindo contratos, documentos de identificação, holerites e referências, estavam disponíveis sem exigir login.
A pesquisa, conduzida por um pesquisador digital anônimo, mostrou que os links podem ser rastreados por motores de busca e armazenados em cache. Casos do Guardian Australia revelaram contratos de aluguel, referências e outros documentos acessíveis publicamente por meio de URLs com caracteres aleatórios.
Segundo o estudo, o funcionamento das plataformas facilita o acesso apenas pela manipulação de números na URL enviada a potenciais inquilinos. Documentos remontam a 2017, com o código de convite inicial identificado como 1 e chegar a milhões de cópias acessíveis.
Medidas de segurança e respostas das plataformas
Uma das plataformas identificadas, a Inspection Express, afirmou ter revisado a forma como links de documentos são acessados e compartilhados. Disse ter aprimorado a segurança neste mês após receber a notificação no ano anterior. A empresa afirma que os documentos não ficam disponíveis publicamente na web e que o acesso ocorre apenas por links controlados.
Outra plataforma adicionou uma barreira que exige o código postal do usuário para abrir o documento. Em relação a várias empresas, diversas delas não responderam aos pedidos de comentário enviadados pela pesquisa.
A advogada Samantha Floreani, crítica de direitos digitais, descreveu as descobertas como uma falha grave de privacidade e segurança. Ela ressaltou que muitas companhias não tomaram medidas meses depois de serem avisadas e acusou a prática de favorecer intermediários que acumulam dados de inquilinos e proprietários.
Floreani também observou que locatários costumam ter pouca margem para recusar o uso dessas plataformas, pois negar pode resultar em referências negativas ou perder o acesso a moradias. Ela aponta que a dependência dessas ferramentas amplia o risco de exposição de informações sensíveis.
Contexto regulatório e próximos passos
O Escritório do Comissário Australiano de Informação (OAIC) informou que não recebeu notificações formais de vazamentos por parte das plataformas. A unidade reiterou que há prioridade crescente para a fiscalização de plataformas de aluguel e o uso de dados pessoais no setor.
O OAIC mencionou que o setor é marcado por assimetrias de poder e informações entre locadores, agentes e locatários, o que tende a exigir maior escrutínio regulatório. A autoridade afirmou que está avaliando as licenças e práticas de compartilhamento de dados dessas plataformas.
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