O Pagador de Promessas foi o primeiro filme brasileiro indicado ao Oscar, na categoria Melhor Filme Estrangeiro, em 1963. Dirigido por Anselmo Duarte, concorreu no Oscar de 1963 e perdeu para Sempre aos Domingos. O filme já havia marcado Cannes ao vencer a Palma de Ouro em 1962.
Antes de chegar ao Oscar, o longa conquistou a Palma de Ouro em Cannes, o maior prêmio do festival, sendo o único filme brasileiro a recebê-la até hoje. A vitória surpreendeu fãs e críticos, diante de obras de nomes como Sidney Lumet e Michelangelo Antonioni.
O enredo acompanha Zé do Burro, interpretado por Leonardo Villar, que faz uma promessa após o ataque a seu animal. A jornada o leva de uma comunidade rural da Bahia a Salvador, com conflitos entre fé, tradição e o poder da Igreja.
Em Salvador, o padre impede o cumprimento da promessa, gerando uma crise na cidade. O filme mostra o choque entre o sertão e a vida urbana, além do embate entre catolicismo e Candomblé, tema central da narrativa.
A produção foi gravada entre agosto e setembro de 1961, principalmente na Bahia, incluindo a Igreja de Santa Bárbara. A adaptação da peça de Dias Gomes gerou debates dentro do cinema brasileiro, entre apoiadores do cinema tradicional e críticos do movimento.
Na recepção crítica, Duarte enfrentou resistência do Cinema Novo, que defendia cinema mais experimental e político. Glauber Rocha, inicialmente envolvido na produção, acabou criticando o filme, enquanto o elenco e equipe receberam reconhecimento internacional.
Hoje, o filme está disponível em plataformas de streaming e continua sendo lembrado como marco histórico do cinema nacional, pela primeira indicação ao Oscar e pela Palma de Ouro de Cannes. O legado permanece na memória da indústria brasileira.
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