A falta de espaços adequados de apoio emocional nas escolas pode prejudicar o rendimento dos alunos. A afirmação é de Katia Chedid, psicopedagoga e líder do departamento de governança educacional da Fundação Bradesco, citada em reportagem sobre o tema.
Dados recentes indicam que o Brasil registrou aumento expressivo de atendimentos ligados à saúde mental: quase 2.500% de 2010 a 2020, segundo relatório do Ministério da Educação. Entre jovens de 15 a 19 anos, o crescimento chega a 3.300%.
Entre fatores apontados, destacam-se a pressão por desempenho, competitividade e a cobrança por aprovação em vestibulares. O acúmulo de estímulos digitais também contribui para ansiedade, dificultando concentração.
Quando não há apoio emocional adequado, esse conjunto de demandas pode afetar o bem‑estar, o desempenho acadêmico e a qualidade de vida dos estudantes, segundo a especialista.
Escola como prevenção
A psicopedagoga defende ações preventivas, integrando cuidado socioemocional ao projeto pedagógico. Também pede capacitação contínua de educadores para identificar sinais de sofrimento emocional.
Ações permanentes de acolhimento, diálogo com as famílias e atividades que promovam equilíbrio emocional são apontadas como úteis. Roda de conversa, dinâmicas de grupo e técnicas de relaxamento são citadas como exemplos.
A implementação transversal do tema na rotina escolar ajuda a reduzir a naturalização do adoecimento psíquico. O objetivo é ampliar a conscientização sobre a importância do cuidado emocional no dia a dia.
Para Katia Chedid, a escola ocupa posição estratégica na identificação precoce de sinais de sofrimento e no desenvolvimento de competências socioemocionais. Isso auxilia estudantes a lidar com frustrações e incertezas.
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