Tomás Saraceno está colaborando com 11 comunidades indígenas para erguer o complexo externo El Santuario del Agua, no Salinas Grandes, no norte da Argentina. A obra busca representar a transição energética global e a defesa de recursos hídricos locais. A construção começou recentemente e a inauguração está prevista para outubro.
O Salinas Grandes fica a 11.300 pés de altitude, entre as províncias de Jujuy e Salta. O território é um campo salino alimentado por aquíferos subterrâneos, com regime árido e cerca de 300 mm de chuva por ano. Para fabricar uma tonelada de carbonato de lítio, evapora-se muita água doce.
A instalação reúne cinco estruturas semicirculares, feitas principalmente de sal. Os formatos variam de 7 pés a 99 pés de diâmetro e até 50 pés de altura, com a visão de que a água refletirá o chão, revelando o “lado oculto” quando retornar à superfície. Visitantes poderão subir por escadas até plataformas.
As obras recebem o nome de Inti, Killa, Ch’aska, Hawcha e Tiqsimuyu, referências da cosmologia andina. A ideia é incorporar elementos da tradição Apacheta, em oferenda a Pachamama, a deidade da terra. A equipe inclui líderes indígenas da Rede Atacama, que apoia a iniciativa.
Saraceno descreve a água como um ser vivo, essencial à vida, e não apenas como elemento. Em carta conjunta, o artista e representantes da Rede Atacama destacam a importância da água para regimes de vida locais e para resistência frente a modelos de desenvolvimento.
A iniciativa pretende criar um modelo de turismo comunitário sustentável, com renda gerida pelas comunidades. Todo o dinheiro ficará com elas, que também administrarão o projeto. A expectativa é receber entre 100 e 350 visitantes diários, com entrada de 20 dólares.
A parceria envolve a Aerocene Foundation e studios de Saraceno, com apoio de instituições e galpões internacionais. A pré-estreia ocorrerá em julho, em Haus der Kunst, Munique, em exposição dedicada ao artista.
Este projeto envolve a mídia internacional e reforça debates sobre soberania territorial, justiça climática e economia local. O objetivo é combinar arte, ciência e ativismo para ampliar a participação das comunidades na gestão de recursos.
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