A professora da USP Annateresa Fabris lança o livro *Lacerba e o Futurismo Florentino*, pela Editora da USP (Edusp), que reconstitui a trajetória da revista italiana Lacerba (1913-1915). O foco é mostrar como a publicação promoveu o Futurismo florentino e influenciou o Modernismo no Brasil, especialmente Mário de Andrade.
A obra apresenta a gênese da revista, associada à insatisfação com La Voce, e aponta Papini e Soffici como protagonistas. Fabris destaca a disputa entre a tradição cultural italiana e a renovação promovida pelos autores, que buscaram uma linguagem artística mais autônoma e provocativa.
O estudo detalha a participação de figuras-chave, como Umberto Boccioni, Papini e Soffici, e analisa os embates internos entre as propostas estéticas. Também aborda as controvérsias sobre a relação entre arte, política e jornalismo na época.
Ao investigar momentos decisivos, a pesquisadora revela a transição de Lacerba de publicação quinzenal para semanal, o posicionamento intervencionista durante a Primeira Guerra e o encerramento da revista em 1915, dois dias antes da entrada da Itália no conflito.
Origem e motivações
Fabris explica que o nome Lacerba remete a um tratado medieval, L’ Acerba, de Cecco d’Ascoli, cuja crítica à Divina Comédia inspirou a revista. O título ganhou significados ao longo das interpretações históricas, segundo a pesquisadora.
Contribuições e impactos
A autora enfatiza a defesa da liberdade artística, da autonomia da arte e de uma estética que rompe com o passado. O público jovem de Florença acompanhou as disputas e a polêmica contra hábitos burgueses e o conformismo cultural.
Fecho e legado
O estudo aponta que o percurso de Lacerba ajudou a consolidar a ideia de uma cultura latina renovada, além de assinalar o papel de Florença na interseção entre Futurismo e Modernismo. A obra também discute o envolvimento de seus autores no início da participação italiana na guerra.
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