Foi iniciado em Salvador o júri popular de dois dos réus pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete. O crime ocorreu em 17 de agosto de 2023, na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Os jurados decidirão se houve homicídio qualificado com dor torpe, meio cruel, sem defesa da vítima e uso de arma de uso restrito; Arielson da Conceição Santos é réu confesso.
O julgamento acontece no Fórum Ruy Barbosa, após adiamento em fevereiro, causado pela troca de defesa. Arielson já está preso; Marílio dos Santos está foragido. Além deles, há outras três denunciadas pelo MP baiano, que ainda não têm data marcada para o júri.
Protesto de apoiadores ocorreu em frente ao fórum, com participação de familiares e integrantes do movimento negro. O caso envolve ainda a defesa de direitos humanos, com o histórico de atuação de Bernadete em defesa de comunidades negras rurais.
Detalhes do processo
Arielson é réu confesso e responde também por roubo. As acusações baseiam-se em provas periciais, rastreamento de celulares e identificação por balística, segundo informações divulgadas pela defesa.
Familiares e representantes da comunidade aguardam a decisão do júri, em meio a cobranças por justiça rápida e inequívoca. Jurandir Pacífico, filho de Bernadete, indicou à Agência Brasil a expectativa de pena máxima para os réus.
Os demais denunciados — Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus — terão sessão marcada posteriormente. O Ministério Público aponta Ydney como possível mandante do crime.
A Mãe Bernadete era líder da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e atuava pela proteção de territórios e combate ao racismo. O caso ganhou repercussão nacional, em meio a denúncias de ameaças anteriores.
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