Dois acusados pelo assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico foram condenados em júri popular realizado no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. O crime ocorreu em 2023 no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. A sessão começou na manhã de segunda-feira e terminou na noite desta terça, com penas acima de 29 anos de prisão para ambos.
Arielson da Conceição dos Santos foi condenado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão. Marílio dos Santos recebeu 29 anos e 9 meses. Ambos deverão cumprir as sentenças em regime inicial fechado. A defesa dos réus informou que vai recorrer.
Condenação e regime
O júri reconheceu agravantes como motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma de uso restrito. Arielson também recebeu uma condenação adicional por roubo. O tribunal aceitou a tese da acusação, de que o crime foi com planejamento.
Sete jurados compuseram a decisão; Marílio não esteve presente, sendo representado por advogados. Ele é considerado foragido. A Justiça transferiu o julgamento para Salvador para assegurar imparcialidade.
Contexto e desdobramentos
Mãe Bernadete Pacífico era uma referência das lideranças quilombolas locais e vinha denunciando ameaças antes de ser morta. O caso ganhou repercussão internacional, destacando a violência contra defensores de direitos humanos. Organizações de direitos humanos apontam a necessidade de responsabilização de toda a cadeia.
Ao todo, seis homens são suspeitos de envolvimento no crime, e três réus ainda aguardam julgamento. A Anistia Internacional acompanhou o processo e mencionou que a responsabilização completa é essencial para responder adequadamente à gravidade do ocorrido.
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