Em São Paulo, estudo da USP investiga como vendedores ambulantes africanos do Largo da Concórdia, no Brás, enfrentam exclusão social. A pesquisa analisa trajetórias de imigrantes que atuam no comércio informal, avaliando fatores como idioma, regularização e racismo. O trabalho é de Abobacar Mumade Ali, doutorando na FFCLH da USP, sob orientação de Paulo Daniel Elias Farah.
Ao mapear o comércio de rua, o pesquisador entrevistou 14 vendedores africanos do sexo masculino. A maioria é originária do Senegal, seguida pela Nigéria, com o Brás como área de atuação e o Largo da Concórdia como foco principal da coleta de dados. O estudo destaca a escolha pelo local pela acessibilidade e pela concentração de clientes.
Segundo a pesquisa, a regularização e a inserção formal funcionam como barreiras para muitos imigrantes. O preconceito racial e a xenofobia dificultam denúncias e ações legais, levando o comércio informal a ser visto como alternativa de sobrevivência e inserção econômica. O idioma é apontado como condição fundamental para a integração social.
Estratégias de integração e redes de apoio
A tese aponta que o casamento com brasileiras já estabelecidas aparece como caminho para a regularização em alguns casos, além de facilitar a permanência no Brasil. Associativismo e redes de apoio, inclusive por meio de grupos no WhatsApp, ajudam a criar identidade e cooperação entre os imigrantes.
O estudo ressalta ainda a importância de políticas públicas voltadas à inclusão, com prioridade para ensino de língua e acesso a oportunidades formais. A pesquisa completa contribui para entender a relação entre vendedor ambulante e consumidor brasileiro e como essa interação pode favorecer a integração social.
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