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Hamburgueria do interior de SP pagava salários maiores a mulheres por traje

Hamburgueria em Ribeirão Preto ofereceu salário maior para mulheres que aceitassem usar decote e calça marcando; MPT investiga possível exploração de menor

Adolescente de 17 anos disse que ficou abalada com proposta de trabalhar de decote para receber salário maior — Foto: Reprodução/EPTV
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O que se sabe até agora aponta para investigações em curso sobre uma hamburgueria de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, após denúncias de conduta abusiva durante processos de seleção. As vítimas relatam pedidos de fotos do corpo e roupas justas como condição para salários mais altos, em desacordo com a legislação trabalhista. O caso envolve o Oliveira Burguer, inaugurado na Avenida do Café, na zona Oeste, e o dono identificado como Rafael Oliveira. As apurações são conduzidas pelo Ministério Público do Trabalho e pela Polícia Civil.

Ao menos duas candidatas relataram abordagens via WhatsApp a partir de anúncios em grupos de oportunidades de emprego. As mensagens indicavam vagas fixas para mulheres sem exigência de experiência, com oferta de pagamento maior caso aceitassem vestir roupas justas. Em um dos relatos, o salário podia subir de 1,3 mil para 1,7 mil; em outro, havia duas formas de pagamento conforme a vestimenta. Ainda houve instrução de que roupas que marcassem o corpo atrairiam clientes.

Quem foi impactado e como tem sido o andamento das apurações envolve principalmente uma adolescente de 17 anos e uma mulher de 23, que relataram constrangimento e invasão durante a negociação. A adolescente chegou a receber propostas de aumento salarial condicionadas ao uso de decote e calça legging marcada, com pedido de fotos do corpo. A profissional de 23 anos respondeu recusando a oferta ao receber confirmação de que a vestimenta influenciaria no pagamento.

Investigação e denúncias

As investigações são conduzidas pela Polícia Civil em conjunto com o MPT, que instaurou processo para apurar violação de direitos trabalhistas e possível exploração de menores. A SSP confirmou que um dos casos está sob investigação no 3º DP de Ribeirão Preto e o outro na Delegacia de Defesa da Mulher, com diligências em andamento e sem detalhes públicos sobre a identidade das vítimas.

Propostas e violação de direitos

Especialistas destacam que as propostas violam direitos trabalhistas e éticos, configurando conduta criminosa em função de exploração de trabalho. A presença de menor de idade entre as supostas candidatas acentua o risco de crimes como importunação sexual, com potencial de indenização por danos morais. O caso também envolve indícios de abuso de poder durante o processo seletivo.

Reações e posição do estabelecimento

Após a repercussão, o perfil da hamburgueria nas redes sociais foi desativado e a casa ficou fechada durante o fim de semana. O proprietário afirmou à EPTV ter reconhecido o erro e alegou não ter intenção de ofender, explicando que houve acúmulo de mensagens e que não avaliou adequadamente a idade da candidata. Tentativas de novo contato com o estabelecimento foram feitas, mas ainda sem retorno.

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