Uma reportagem reúne relatos sobre a mutilação genital feminina na Colômbia, prática ainda presente entre comunidades emberá e afrocolombianas. O caso de Carla Quiñonez evidencia o ciclo de violações que afetam mulheres desde a infância.
Dados oficiais indicam casos registrados no país, concentrados principalmente em Risaralda, no noroeste. Questões de acesso a serviços de saúde e isolamento territorial dificultam a detecção e o tratamento. Muitas meninas não chegam a hospitais próximos.
A OMS descreve quatro tipos de mutilação genital feminina, variando de remoção total do clitóris a alterações na abertura vaginal. Profissionais de saúde atendem casos diários, mas reconhecem que muitos não chegam a registros formais.
No hospital de Pereira, a pediatra Diana Ramos Mosquera trabalha para aprimorar o atendimento e registrar informações. Ela afirma que o número oficial pode representar apenas a “ponta do iceberg” devido ao isolamento das comunidades.
A cultura não mata
Juliana Domico, correspondente da confederação Emberá, afirma que a prática não faz parte da identidade cultural. Ela defende educação e mudança, ressaltando que o costume não pode justificar danos permanentes.
Entre as autoridades indígenas, ainda há resistência ao tema, o que complica a comunicação sobre prevenção e assistência. Muitas mulheres desinformadas relatam dificuldades ao buscar atendimento médico.
A legislação brasileira sobre o tema avançou na Câmara, após casos midiáticos no Parque Nacional de Bogotá. Parlamentares ressaltam a necessidade de proteger vidas e evitar punições desagregadoras para quem atua pela proteção das meninas.
A proposta em análise propõe prevenção, atendimento e erradicação, com foco em reduzir mortes e complicações. O objetivo é ampliar registros e facilitar o acesso a serviços de saúde, educação e proteção, especialmente em zonas isoladas.
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