Letícia Moraes, semiótica e linguística da UFPB, apresenta uma abordagem prática para tornar leitura de obras obrigatórias menos cansativa para adolescentes. A proposta usa a semiótica para transformar leitura em atividade investigativa, conectando signos, imagens e texto para compreender o sentido.
A pesquisadora coordena o Laboratório de Semiótica na universidade e atua com jovens em escolas públicas de João Pessoa. O objetivo é aproximar os alunos das listas de leitura do ENEM, Fuvest e Unesp, por meio de estratégias que vão além da análise tradicional de textos.
O que muda na leitura
Segundo Moraes, a semiótica estuda signos e como eles produzem sentido. Ao aplicar o método, o aluno deixa de ser apenas leitor e passa a detectar padrões e estruturas que constroem o significado, uma habilidade valorizada nos vestibulares.
Como funciona na prática
O trabalho envolve atividades com memes e outras linguagens para demonstrar que o sentido surge da combinação de elementos. A ideia é mostrar que a leitura exige decodificação de recursos próprios do texto, não apenas a decifração da narrativa.
Abordagens para o cotidiano
Entre as propostas está mapear obras com linguagem mais ágil no início da lista e usar recursos como séries, audiobooks ou resumos audiovisuais apenas como preparação, não substituição da leitura integral.
Ferramentas concretas de leitura
Outra recomendação é marcar figuras de linguagem, imagens, objetos e ambientes ao longo da leitura. Em seguida, o estudante faz uma segunda leitura dos trechos marcados para confirmar a relação com os temas identificados.
Envolvimento familiar
A autora ressalta a importância de um diário de leitura compartilhado entre família e jovem, para registrar impressões, dúvidas e trechos relevantes. Esse ritual ajuda a manter o adolescente ativo na interpretação do texto.
Benefícios e resultados esperados
Ao estimular a leitura com estratégias de detecção de signos e produção textual, a proposta busca reduzir a distância entre o ritmo de leitura atual dos jovens e o ritmo exigido por obras densas. Unir leitura, família e produção de conteúdo pode ampliar a compreensão sem exigir mudanças abruptas no comportamento digital dos estudantes.
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