Ligações mudas, ou chamadas robocalls, vêm crescendo em frequência, atingindo usuários que acabam atendendo por curiosidade ou por engano. Essas ligações são automáticas e costumam cair ao atender, servindo a telemarketing ou a fraudes. O envio é feito em massa por operadoras que usam números aleatórios para ampliar as chances de contato.
Especialistas apontam que a estratégia reduz o tempo de atendimento, pois várias chamadas são lançadas simultaneamente. Além disso, algumas empresas utilizam as ligações para checar quais números continuam ativos na rede. A prática pode ser vista como tentativa de otimizar recursos de venda ou de sondar linhas disponíveis.
A Anatel afirma que o disparo massivo nem sempre é abusivo, especialmente quando envolve alertas de emergência. Contudo, o uso excessivo pode ultrapassar a capacidade humana de discagem e configurar prática abusiva. A entidade ressalta que as chamadas também sobrecarregam as redes de telecomunicações.
Para frear o incômodo, a agência recomenda o serviço gratuito Não Me Perturbe, que bloqueia contatos indesejados. O cadastramento é feito no site naomeperturbe.com.br, com seleção das operadoras ou financeiras a bloquear e confirmação por SMS. O sistema gera um comprovante para registro.
Outra opção é a plataforma Qual Empresa Me Ligou, que identifica a operadora responsável pela ligação indesejada. O acesso pode ser feito pelo site qualempresameligou.com.br, oferecendo diagnóstico sobre a origem das chamadas.
Porém, especialistas alertam que o Não Me Perturbe nem sempre funciona plenamente. Algumas empresas conseguem contornar os filtros falsificando dados do identificador de chamadas, o que dificulta a aplicação de sanções.
A Anatel informou que, em 2024, lançou uma ferramenta que permite às prestadoras identificar a origem das chamadas indesejadas, facilitando a detecção de irregularidades e ações mais rápidas. A medida visa aprimorar o combate a abusos no setor.
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