Dois a passos de largada, especialistas apontam que o número de sites comerciais de abuso sexual infantil dobrou em um ano, com gangues criminosas obtendo lucros significativos com a exploração online. Dados da Internet Watch Foundation indicam 15.031 sites desse tipo em 2025, ante 7.028 em 2024, o que representa um aumento de 114%.
A análise aponta que esse conteúdo está disponível em plataformas sociais e é relativamente fácil de encontrar. Um analista que participou do relatório afirma que é possível localizar material de abuso, incluindo as categorias mais graves, com uma única busca em várias plataformas, e que a ideia de que o material fica escondido não procede.
Ações, lucros e métodos
Kerry Smith, CEO da IWF, destaca falhas sistêmicas que permitem aos criminosos obter grandes lucros com a exploração infantil online. Segundo ele, há necessidade de medidas obrigatórias sobre serviços financeiros para detectar, derrubar e reportar links de pagamento usados na venda de imagens e vídeos de abuso.
O levantamento aponta que conteúdos pagos diretamente pelo usuário cresceram de 2% em 2024 para 5% em 2025. Os valores variam de US$ 12 a US$ 120, dependendo da gravidade do material, e o uso de criptomoedas é comum, embora transferências e cartões também ocorram.
Entre os sites comerciais, 16% estavam disfarçados para permitir acesso a conteúdo ilegal por meio de caminhos que aparentam ser legais ao carregar no navegador. O relatório aponta que as criptomoedas são o método de pagamento mais utilizado, com outros meios de pagamento também presentes.
O estudo descreve o funcionamento como um esquema de pirâmide, com links de afiliados que geram tráfego e repartem lucros entre criadores e intermediários, ampliando a receita de quem hospeda e distribui o conteúdo.
Riscos para vítimas e respostas
Pesquisas também registraram tentativas de localizar vítimas para expor usuários criminosos a outras pessoas. Em 2025, houve aumento de 127% nos relatos de sextorsão de menores de 18 anos, segundo o serviço gratuito de denúncia do IWF e NSPCC. Crianças a partir de sete anos já reportaram esse tipo de violência.
Chris Sherwood, CEO da NSPCC, afirma que o crescimento dos sites de abuso revela um problema grave e que as vítimas costumam ficar desprotegidas, com a circulação de imagens causando re-traumatização. Ele pede atuação das autoridades regulatórias e das plataformas para interromper a prática na origem.
Sherwood também ressalta a importância de ferramentas existentes de proteção tecnológica que impedem que crianças tirem, enviem ou recebam imagens de nudez. O serviço de denúncia Childline reforça que jovens podem buscar apoio profissional confidencial para remover conteúdos e impedir novas ações.
Apoio institucional e recursos
As autoridades e organizações de proteção à criança destacam a necessidade de cooperação entre reguladores, empresas de tecnologia e serviços financeiros para interromper o ciclo de exploração e remover rapidamente conteúdos ilegais. As entidades citadas continuam oferecendo canais de apoio e orientação para vítimas, familiares e profissionais.
Observação: o material aqui apresentado é uma síntese das informações divulgadas pela Internet Watch Foundation e pelas organizações NSPCC e Childline, sem juízo de valor. As fontes originais devem ser consultadas para detalhes adicionais.
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