Na última segunda-feira, Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica, Karol Maia promoveu o lançamento da discussão sobre o documentário Aqui Não Entra Luz. O filme ainda não estreou, mas já aponta para o conceito central do projeto: o quarto de empregada como extensão do pensamento da senzala.
A diretora é filha de uma trabalhadora doméstica e guia a narrativa pela vida de mulheres que exercem essa função, com relatos coletados ao longo de pesquisas sobre a arquitetura que molda as relações de trabalho. A obra explora afeto, desigualdade social e memória histórica.
Conceito e gênese do filme
Maia afirmou que o interesse inicial foi pela arquitetura e por como espaços organizam o trabalho. A pesquisadora destacou a evolução desde a escravidão até os dias atuais, observando como o quarto de empregada revela deslocamentos históricos.
Ela explicou que a ideia ganhou forma entre 2015 e 2017, a partir de estudos sobre estados que receberam mão de obra escrava. Minas Gerais, Rio de Janeiro, Maranhão e Bahia aparecem como referências para entender como a arquitetura colonial influencia a vida de mulheres negras.
Perspectivas sobre direitos e fiscalização
Entre os temas, a diretora destacou a camada da maternidade, marcada pela convivência no ambiente do patrão e pela ausência na vida dos filhos. A PEC das Domésticas foi citada como marco, ainda que tardio, para estabelecer limites e direitos.
Maia ressaltou a necessidade de fiscalização, apontando que a fiscalização eficaz nem sempre ocorre de forma estatal. Segundo ela, a verificação recai, em parte, sobre contratadas e contratantes, reforçando a responsabilidade individual no cumprimento de normas.
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