O anúncio de Alma Allen como representante dos Estados Unidos na Bienal de Veneza provocou controvérsia desde o momento da divulgação. A crítica recai sobre o processo de seleção, que não contou com uma encomenda de museu tradicional, sendo feito por meio de uma instituição criada recentemente, a American Arts Conservancy, chefiada por Jenni Parido. Parido, até 2024, dirigia uma loja boutique em Tampa, e teve envolvimento com eventos de caridade ligados ao Mar-a-Lago. A repercussão inicial resultou na saída de Allen de duas galerias, Olney Gleason e Mendes Wood DM, que também anunciaram novos parceiros de peso, incluindo a Perrotin.
Apesar da pressão, surgem diferentes leituras sobre o impacto da participação de Allen no mercado do artista. Beth Rudin DeWoody, colecionadora de longa data, afirma que a relação entre a polêmica e a produção de Allen não deve ofuscar o valor da obra nem a oportunidade gerada pela exposição em Veneza. Ela ressalta que a Bienal, para o americano, pode abrir portas junto a colecionadores institucionais e privados. As galerias, entretanto, já haviam migrado a representação para outra instituição antes do evento.
A trajetória deAllen no mercado é marcada por uma base de colecionadores formada ao longo de décadas. Nos anos 90, quando vendia esculturas simples em Nova York, ganhou adeptos entre designers, joalheiros e artistas. Entre 2014 e 2015, o leque de compradores incluía nomes como Peter Morton, Jack Pierson e outros influentes do mundo da arte. Hoje, a própria DeWoody figura entre quem já adquiriu trabalhos do artista.
Mercado e preços atuais indicam um alcance variado. Pequenas peças já apareceram em leilões com valores próximos de US$ 4 mil a US$ 12 mil. Esculturas maiores e objetos funcionais chegam a entre US$ 35 mil e US$ 125 mil, com obras de pedestal entre US$ 35 mil e US$ 50 mil. O primeiro leilão recente com uma peça de Allen foi em uma venda online, com estimativa de US$ 7 mil a US$ 10 mil.
Perspectivas de mercado e próximos passos
A representante da Perrotin informou que a Bienal deve ampliar oportunidades de acúmulo de obras em instituições e coleções privadas, elevando o perfil do artista. A galeria planeja um grande show em Paris, programado para outubro, durante a Art Basel Paris, coincidindo com a última fase da Bienal. Estima-se que a participação em Veneza possa ampliar a visibilidade de Allen entre novos colecionadores.
Especialistas destacam que parte do público ainda desconhece o trabalho de Allen, sugerindo potencial inexplorado no meio contemporâneo. A Bienal de Veneza, com a presença de Allen, é encarada como momento de avaliação sobre como o evento pode influenciar a demanda por suas obras. Com novas parcerias e uma agenda internacional mais extensa, o artista pode atingir mercados mais amplos sem depender integralmente de uma única instituição.
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