Anne Boleyn ganhou o coração de Henrique VIII, gerou um dos monarcas mais conhecidos do país e foi executada em 1536. Agora, um time de ciência da computação afirma ter encontrado um esboço inédito de Boleyn usando reconhecimento facial em retratos de Tudores.
A equipe, vinculada à Universidade de Bradford, sustenta que a descoberta é promissora e que a metodologia pode ser replicada para novas investigações em arte. A pesquisa passou por avaliação de pares antes da publicação.
Boleyn tornou-se segunda esposa de Henrique VIII em 1533, e seu mandato foi curto, com acusação de adultério, incesto e traição. A execução ocorreu no contexto de tensões políticas da época.
Todo retrato pintado de Boleyn foi produzido após a sua morte, o que alimenta o debate sobre a aparência real. O estudo utiliza desenhos que supostamente a representam para buscar semelhanças com parentes próximos.
Metodologia e descobertas
Davies, que trabalha como faxineira desde agosto de 2024 para financiar pesquisa histórica, questiona a autenticidade do esboço de Holbein. Ela aponta detalhes como vestuário informal, assinatura em caligografia do século XVIII e cabelo claro.
O estudo compara os desenhos com retratos de parentes próximos, como primos da família e Elizabeth I, para detectar padrões de semelhança facial. O algoritmo avalia o grau de parecido entre as faces.
Segundo os autores, quanto maior a similaridade, maior a probabilidade de relação ou identificação entre as imagens. A ideia é construir uma espécie de árvore familiar visual a partir de traços faciais.
A pesquisa afirma que o trabalho é baseado em dados de desenhos de velhas coleções e que há diferenciação ao comparar com imagens de pessoas não relacionadas. Os resultados são apresentados como indicativos, não definitivos.
Reações da comunidade acadêmica
A avaliação entre especialistas em história da arte tem sido cautelosa. Alguns críticos questionam a metodologia e a aplicação de sistemas modernos a objetos artísticos do passado.
Grosvenor sustenta que muitas questões históricas devem permanecer abertas e lembra que obras de arte não se tratam como fotografias modernas. A regra de evidência exige cautela na interpretação.
O pesquisador aponta ainda que continua a acreditar que o esboço de Holbein poderia retratar Boleyn, mesmo diante das críticas, citando detalhes como a identificação por alguém próximo e sinais de manipulação na cor e no vestuário.
O estudo indica que a pesquisa peer-reviewed foi submetida a análises rigorosas, mas o debate público sobre a validade dos achados continua. O tema desperta interesse em novas abordagens de detetive de arte.
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