À frente da parede branca, a exposição reexamina a produção de Paulo Roberto Leal, apresentando obras da década de 1970 a 1980. Em São Paulo, a galeria Galatea mantém a mostra aberta até 9 de maio, na zona oeste.
A curadoria é conduzida pela parceria entre três diretores da galeria, que buscam resgatar o lugar de Leal no cenário da arte geométrica brasileira. O foco está no desdobramento da tradição construtiva, com ênfase na materialidade e na geometria.
A montagem privilegia suportes variados como papéis, tecidos e acrílicos. Estruturas modulares e luz filtrada criam efeitos de tridimensionalidade, desordenando a ideia de geometria rígida típica dos anos 50 e 60.
A exposição organiza dois momentos de visita: anos 1970, com módulos repetidos e geometria sistemática; e anos 1980, com cores e referências da arquitetura cotidiana. Essa divisão ajuda a entender a trajetória do artista.
Entre as peças, a peça Armagens, apresentada na Bienal de Veneza de 1972, aparece como exemplo da fusão entre opacidade e transparência, integrando o conjunto da mostra.
A vitrine documental reúne fotografias, catálogos e instruções de montagem, evidenciando o interesse de Leal por formatos de circulação que vão além do objeto único.
Contexto histórico
Segundo a galeria, o interesse pelo retorno de Leal parte de uma lacuna nas narrativas sobre arte geométrica brasileira. A obra não acompanhou as tendências dominantes de décadas seguintes, o que contribuiu para o apagamento parcial.
A morte precoce do artista, ocorrida na década de 1990 por complicações associadas ao HIV, também influenciou a falta de continuidade na recepção de sua produção. A mostra busca reativar esse diálogo com o presente.
Ao reunir trabalhos históricos, a exposição propõe uma releitura da produção de Leal. O objetivo é inserir sua pesquisa no debate contemporâneo da arte geométrica no Brasil, ampliando leituras sobre formalismo e experimentação material.
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