O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania do Brasil e condenou as tentativas de interferência externa nas eleições de 2026 em seu discurso na abertura da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York. Como ocorre desde 1955, o Brasil foi o primeiro país a discursar, seguido pelos Estados Unidos, anfitrião da sede da organização.
“Somos chamados a optar entre o multilateralismo e unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação”, afirmou o presidente.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, continuou Lula. ” Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinho.”
“A democracia está novamente em cheque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zona de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos.”, prosseguiu.
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No fim de agosto, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) enviou um relatório ao Palácio do Planalto, Ministério da Justiça e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em que elevou a possibilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a um “nível de criticidade”. As informações foram reveladas nesta semana pelo jornal Folha de São Paulo.
Segundo a publicação, o texto da Abin cita documentos do governo Trump entre novembro de 2025 e maio de 2026 e afirma que os objetivos do presidente norte-americano são a “redução da influência de potências rivais dos EUA na América Latina”. Segundo a agência, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.
A tentativa de interferência externa ao pleito de outubro voltou a ser criticada por Lula, que reforçou ao fim do seu discurso de 22 minutos, que todos os candidatos desfrutam “da mais ampla liberdade de expressão”.
“Sabemos que alguns abundam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país. Não subestimamos o desafio da rede de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha, mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto.”, afirmou.
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“Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigo da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros.”, continuou e concluiu:
“O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém, ninguém nos afastará desse caminho.”
Reforma na ONU
Ao início do discurso, Lula reiterou sua posição a favor de uma reforma ampla da ONU, especialmente do Conselho de Segurança. O Brasil defende mudanças na composição e no funcionamento do órgão e critica sua dificuldade de responder aos conflitos internacionais.
“Essa é a 10ª ocasião em que abro o debate geral dessa assembleia este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevada: de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”, afirmou.
“Os líderes do países que integram o conselho de segurança precisam se reunir… Mas as concessões a lei do mais forte já passaram do limite.” prosseguiu.
Gaza, Irã e TPI
Ao discursar para os mais de 70 chefes de Estado e 45 de governos, 50 ministros e 11 vice-presidentes além de um príncipe-herdeiro, o presidente voltou a classificar como genocídio a guerra na Faixa de Gaza durante o discurso.
Ao abordar o conflito entre Israel e Hamas, Lula afirmou que mulheres, crianças e outros civis palestinos estão entre as principais vítimas e disse que as consequências serão carregadas por gerações.
“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, afirmou o presidente.
Lula também condenou os ataques do Hamas contra civis israelenses. Segundo ele, “civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”.
Ainda sobre o assunto, Lula criticou a perseguição ao Tribunal Penal Internacional (TPI) e aos integrantes da Corte. “Perseguir o Tribunal Penal Internacional e seus integrantes é um estímulo para que esses crimes fiquem impunes.”, afirmou.
O presidente também citou outros conflitos internacionais. Ao falar sobre o Oriente Médio, afirmou que o Estreito de Ormuz, importante rota do comércio mundial, foi transformado em uma “trincheira da guerra”, com impactos sobre os preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos.
Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, o presidente afirmou que o conflito continua provocando mortes e sofrimento. “Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção”, declarou.
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