Após dez anos da inauguração da Usina Belo Monte, comunitários, organizações e órgãos internacionais destacam impactos socioambientais ainda ativos no médio Xingu. O empreendimento, aberto em Altamira (PA) há uma década, gerou debates sobre reparações, violações de direitos e segurança alimentar local.
Élio Alves da Silva, pescador da comunidade de Santo Antônio, Vitória do Xingu, relembra a chegada da usina na década de 1980 e as mudanças subsequentes. A construção envolveu circulação de empresas, derrubadas de veredas e detonações para testar viabilidade da barragem.
A data de referência é 5 de julho de 2016, quando Belo Monte iniciou operação, com o objetivo de desviar parte do fluxo do Xingu para atender ao reservatório. O projeto, concebido na década de 1970, ganhou notoriedade internacional pelo impacto no leito.
Mudanças no rio e na vida local
Silva aponta que a variedade de peixes diminuiu após as explosões, afetando a subsistência de famílias inteiras. Ao sair do local, ele recebeu uma pequena chácara perto de Altamira, mas sem assistência financeira ou produtiva adequada.
Sara Lima, moradora de Belo Monte do Pontal, em Anapu, também percebeu a queda de renda familiar, apesar de continuar no mesmo lugar. A comunidade enfrenta redução da capacidade de gerar alimento a partir do rio.
Violações e direitos humanos
Organizações como Aida, Cimi, Coiab e outros institucionais divulgaram carta aberta em defesa das comunidades ribeirinhas e indígenas do Xingu. O documento ressalta agravamento de violações associadas às mudanças climáticas e à vulnerabilidade local.
O parecer consultivo da Corte Interamericana de Direitos Humanos, reconhecido em julho de 2025, reforça a obrigação de proteção de populações afetadas pela crise climática. Medidas incluem ambiente saudável e reparação de danos.
Investimentos e reparações
A Norte Energia aponta que a usina atende cerca de 5% da demanda nacional, alcançando até 16% nos horários de pico. A empresa afirma ter investido mais de R$ 8 bilhões em compromissos socioambientais.
Entre resultados citados estão hospitais, unidades de saúde, escolas, ações para comunidades indígenas e reflorestamento de áreas extensas. Organizações sociais, porém, afirmam que as ações ficaram aquém das perdas.
Sara Lima resume o debate: a água abundante do passado não voltou, e as iniciativas de reparo não substituem o rio que existia. A narrativa atual envolve demandas por reparação completa e salvaguardas para futuras obras.
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