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Dana Awartani recria história no Pavilhão da Arábia Saudita com 30 mil tijolos

Com 29.300 tijolos de barro, Dana Awartani projeta o Pavilhão da Arábia Saudita em Veneza, destacando colaboração de artesãos e memória de patrimônios destruídos

A floor covered in mosaics depicted birds and abstract patterning.
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A Comissão Nacional da Arábia Saudita escolheu Dana Awartani para representar o país na Bienal de Veneza, com uma instalação que reúne quase 30 mil tijolos de barro. O piso reproduz mosaicos tradicionais, ocupando o salão principal do pavilhão. A obra é creditada à artista, mas envolve uma equipe de artesãos que atuaram ao lado dela.

Awartani enfatiza a participação de artesãos locais, muitos migrantes econômicos que chegaram à Arábia Saudita. O processo de produção, lento e cuidadoso, envolveu documentação de mais de 20 sítios culturais destruídos por conflitos. A curadoria ressaltou o papel das equipes que trabalharam nos moldes e na terracota.

O título da exposição é May your tears never dry, you who weep over stones, e os motivos trazem mosaicos de sítios árabes destruídos, incluindo obras religiosas e civis. O projeto ressalta a memória cultural diante de guerras e atos de violência contra patrimônios.

Materiais, produção e logística

A instalação usa tijolos de barro em técnica de adobe, com dezenas de artesãos mobilizados para moldar e colorir as peças no deserto. A produção começou em Riyad, devido ao clima seco, e durou cerca de três meses. O que se vê hoje é o resultado de uma montagem de complexa coordenação.

Foram criados moldes de madeira com a ajuda de um artesão de uma vila indígena da Índia e, no local, cada peça recebeu um código para controle de montagem. A equipe contou com duas semanas intensas de instalação, com turnos que iam das 8h às 23h.

Desafios e impactos

Entre os desafios, estão as limitações do material: há limitações para reproduzir graduações de cor originais dos mosaicos, exigindo readequações artísticas. A logística de envio também foi afetada por tensões na região, impondo rotas aéreas mais complexas.

O público é convidado a caminhar entre as peças, em vez de observar de cima, criando uma experiência de imersão que sugere um sítio arqueológico. A intenção é provocar reflexão sobre a conservação do patrimônio cultural árabe e mediterrâneo.

Contexto e desdobramentos

A obra dialoga com destruições recentes de sítios culturais na região, fortalecendo o debate sobre preservação frente a conflitos. A curadoria observa que a instalação destaca a riqueza cultural da região, assim como a importância de protegê-la para as futuras gerações.

A obra é apresentada como uma visão contemporânea do mosaico, conectando a tradição artesanal com questões geopolíticas atuais. O pavilhão permanece em evidência na programação da Bienal, atraindo visitantes que buscam entender o papel da memória na produção artística.

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