Aneta Grzeszykowska, artista polonesa, volta a mostrar seu trabalho que transforma a própria identidade em tema central. As séries Mama, de 2018, e Daughter, de 2025, ocupam espaços distintos em Nova York e ajudam a entender a evolução de sua prática. Em Mama, ela criou uma boneca que representa metade de si e pediu que a filha pequena brincasse com ela. Em Daughter, a artista usa uma máscara com a cabeça de si aos 14 anos para compor retratos com familiares.
As obras atuais dialogam entre prática pessoal e contexto museal, ampliando a reflexão sobre maternidade, identidade e performance. Mama integra a exposição New Humans, no New Museum, que reabriu recentemente e apresenta uma visão ampla sobre o que é humano. Daughter aparece na galeria Lyles & King (Lower East Side), em cartaz até 9 de maio, e na exposição Adolescence, na Zachęta, em Varsóvia.
A trajetória de Grzeszykowska inclui a série Album, de 2005, formada por fotografias de família nas quais a artista se remove. O conjunto projeta uma presença ausente que se tornou parte central de sua linguagem. O conjunto de trabalhos põe em tela a pergunta sobre a construção da memória visual.
Processo criativo e técnica
A artista descreve que costuma introduzir objetos reais em cenas cotidianas, com familiares atuando como performers. No caso de Daughter, o uso de uma máscara com o rosto de 14 anos permite avançar e retroceder na narrativa de sua vida. A produção envolve a participação de familiares para deslocar a hierarquia na relação familiar.
Grzeszykowska explica que o making-of envolve direção de cena, porém a imagem final depende da reação de quem participa, já que a própria artista não controla o que os familiares farão diante da câmera. O resultado é observado pela fotógrafa apenas após as fotos serem reveladas.
Máscara, relações e recepção
Para a construção da máscara, a artista recorre a amigos da Academia de Belas Artes que produzem objetos cenográficos para cinema. A obra busca momentos de verdade em meio ao artificial, com o objetivo de provocar uma emoção no observador sem depender de elementos suplementares. A escolha do retratado foca na interação entre quem observa e quem é observado.
A relação com a filha, hoje com 15 anos, é central na prática. A jovem cresceu junto ao trabalho artístico da mãe, o que molda uma compreensão compartilhada da produção cultural familiar. Grzeszykowska afirma que, em sua visão, não há necessidade de debates sobre interpretações, já que o processo independe de pautas pedagógicas.
Contexto e impacto
A artista comenta que a relação entre maternidade e criação artística se mantém como eixo de suas obras. Mama está inserida em um pano de fundo que inclui ciência, cinema e objetos não convencionais, propondo uma leitura ampla sobre o que pode ser considerado arte. Ela valoriza a fusão entre produções artísticas e objetos não tradicionais para ampliar o campo de interpretação.
Grzeszykowska vê a exposição New Humans como um espaço que não restringe a arte a cânones estritos, unindo obras de diferentes origens, incluindo experiências médicas e adereços de cinema. No conjunto, a artista oferece uma visão de mundo onde o performativo, o vivido e o imaginário coexistem para revelar a complexidade humana.
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