O Conselho Evangélico da Catalunha (CEC) informou publicamente que a reportagem do programa 30 Minuts, da TV3, exibida no último domingo, 26 de abril, apresentou uma visão parcial do protestantismo na Catalunha. A peça teria generalizado práticas de setores neopentecostais como representativas de todas as igrejas da região.
Segundo o CEC, igrejas pentecostais, carismáticas e históricas não se identificam com as imagens compartilhadas. A entidade classifica a associação de movimentos neopentecostais com inspiração americana como inadequada para descrever o conjunto do protestantismo catalão. Foi solicitada retratação formal da emissora pública.
Um panorama do movimento evangélico na Catalunha aparece na reportagem, porém o enfoque recaiu sobre duas igrejas. A matéria inicia em Girona, com participação de catalães e forte presença latino-americana, antes de abordar um episódio em Valência envolvendo Guillermo Maldonado, líder do El Rey Jesús International Ministry, sediado em Miami.
A grande maioria das igrejas evangélicas na Catalunha não endossa as ações apresentadas. O relatório sugere que Maldonado representa um fenômeno europeu de entrada, destacando sua ligação com figuras políticas, incluindo Donald Trump, e apresentando o evangelicalismo como motor da direita global.
O CEC afirmou que, embora o objetivo fosse apresentar o movimento evangélico, a reportagem enfatizou o neopentecostalismo e não refletiu a diversidade histórica, teológica e organizacional das comunidades locais. As igrejas queixas destacam não se reconhecer nesse retrato.
Uma petição online, criada no Change.org, já reúne mais de 2.500 assinaturas. O texto cobra correção da TV3, do programa 30 Minuts e de órgãos reguladores, argumentando erro conceitual ao retratar o protestantismo pela lente neopentecostal.
Entre as críticas, destaca-se a atuação de Josep Lluís Carod Rovira, ex-vice-presidente do governo catalão, que criticou a reportagem e ressaltou a necessidade de distinguir movimentos evangélicos de evangelizadores. Ele destacou o trabalho de protestantes catalães que atuam de forma discreta e institucional.
A nota do CEC reforça que o protestantismo catalão é diverso e que a imprensa pública tem a responsabilidade de mostrar esse pluralismo. Autoridades e especialistas foram citados como referência para uma cobertura mais precisa, equitativa e informativa.
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