Em uma escola pública do Bronx, Nova York, uma partida de basquete entre meninas expôs um desafio comum: as duas únicas cestas estavam cercadas de espaço ocupado pelos meninos. A solução veio da própria comunidade escolar, com uma intervenção simples e simbólica.
As estudantes pediram que o piso ao redor de uma das cestas fosse pintado de rosa. A cor não impede ninguém de jogar, mas fez com que os garotos evitassem aquela área, abrindo espaço igual para as meninas praticarem o esporte.
Este caso faz parte de uma transformação maior dos pátios escolares da cidade, que passam de áreas asfaltadas a espaços verdes, vibrantes e comunitários. A iniciativa é promovida pela Trust for Public Land, organização nacional fundada em 1972.
Segundo Tamar Renaud, diretora da Trust for Public Land no estado, as áreas transformadas absorvem água, reduzem calor e funcionam como espaços de convivência para a comunidade. Além disso, envolvem estudantes no desenho dos espaços.
O processo envolve alunos, professores e funcionários no mapeamento de desejos da comunidade, com participação direta de estudantes no design, orçamento e organização. Ao fim, há monitoramento da manutenção das áreas.
As renovações combinam infraestrutura verde com áreas pavimentadas para uso esportivo, usando superfícies permeáveis e plantio de árvores. Observa-se que muitos empreiteiros já dominam essas práticas.
Geralmente os projetos ocorrem em regiões com menor acesso a parques, especialmente em comunidades de baixa renda. Uma condição comum é que os espaços passem a ficar abertos ao público nos fins de semana.
A Trust for Public Land aponta que, nationalmente, já reformou mais de 350 pátios escolares em 26 estados, incluindo cidades como Atlanta, Filadélfia e Los Angeles. Quase 28 milhões de crianças ainda não têm parque próximo de casa.
No Bronx, o exemplo ganha adesão de autoridades locais. Em fevereiro, a organização divulgou uma versão atualizada da Agenda de Ação dos Pátios Escolares Verdes, com meta de universalizar espaços verdes comunitários até 2050.
O modelo depende de prioridades locais, fontes de financiamento e apoio político, segundo Tamar Renaud. Ela ressalta que infraestrutura verde reduz custos com saúde, mitiga alagamentos e melhora a qualidade de vida.
Projetos costumam nascer de demanda de vereadores, escolas ou associações de pais. Quando há vontade política, os projetos costumam avançar em prazos de cerca de 18 meses, conforme a organização.
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