Em 2025, 84.760 pessoas desapareceram no Brasil, segundo a Agência Brasil. Mães de desaparecidos buscam visibilidade, memória e respeito, enfrentando trajetórias marcadas pela busca constante e pela indiferença.
Vítimas da ausência variam entre crianças que sumiram recentemente e jovens que desaparecem há décadas. O Dia das Mães é lembrado como marco de esperança, mas também de demanda por ações, informações e reconhecimento público.
Clarice Cardoso, de 27 anos, é mãe de Ágatha Isabelle e Allan Michael, somados a André, 9, todos desaparecidos em Bacabal, MA, desde janeiro. Em entrevista, ela descreve a dor diária e a procura por respostas junto às autoridades.
Ás 6 e 4 anos, as crianças teriam saído para brincar na mata próximo à casa, acompanhadas por um primo de 8, que foi encontrado. A mãe relata que a investigação aponta a possível passagem de um homem no mesmo período.
A delegacia fica a 12 quilômetros do município onde Clarice mora, o que aumenta o desafio de deslocamentos. Comentários e preconceitos surgem nas visitas à cidade, segundo ela, que também cuida da mãe acidentada. A polícia afirma que investiga as pistas recebidas.
Além de Clarice, a realidade de busca por desaparecidos ganhou rede de apoio nacional. Ivanise Espiridião, de 63 anos, criou o grupo Mães da Sé após o desaparecimento da filha Fabiana em 1995, hoje com mais de seis mil mães associadas.
O grupo oferece orientação, apoio emocional e uso de tecnologia, como o aplicativo Family Faces, que utiliza reconhecimento facial para localizar pessoas desaparecidas. A iniciativa busca evitar que famílias enfrentem a dor sozinhas.
Ivanise destaca que 42% das pessoas desaparecidas são localizadas. Ela enfatiza que não é preciso esperar 24 horas para registrar o desaparecimento e que muitas famílias desconhecem direitos básicos.
Apoio psicológico é fundamental. Profissionais associam a trágica a transtornos como depressão e crises de ansiedade. Especialistas ressaltam a necessidade de capacitação de psicólogos para atender familiares de desaparecidos.
Outra atuação é a ONG Abrace, fundada por Lucineide Damasceno, que integra o movimento Mães da Sé. O objetivo é oferecer suporte material e emocional a famílias em situação de vulnerabilidade, incluindo assistência jurídica e social.
Lucineide, cuja filha Felipe desapareceu em 2008 aos 16 anos, mantém a esperança de reencontrá-lo. Ela participa de ações coletivas, busca acolhimento entre pares e orienta familiares sobre medidas de segurança e prevenção.
Os relatos das mães mostram como a dor se mescla à luta por visibilidade e políticas públicas eficazes. A atuação coordenada entre famílias, organizações e autoridades busca ampliar a rede de apoio e acelerar investigações.
Mesmo diante do sofrimento, as mães destacam a importância de manter a memória dos filhos. Em cada dia, a busca por informações e o apoio mútuo sustentam a continuidade do movimento, com foco na proteção de crianças e adolescentes.
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