Milhões de crianças brasileiras crescem sem a presença diária da mãe, que precisa trabalhar fora para sustentar a família. O retrato é de famílias onde a mãe é única responsável e o trabalho doméstico paga mal, sem carteira assinada.
A pesquisa aponta que cerca de 6,27 milhões de mães vivem nessas condições. Entre 11 e 16 milhões de filhos são impactados pela ausência materna por longos períodos para cumprir outras funções familiares.
A realidade é alimentada por falhas estruturais: a Lei Complementar 150, de 2015, não é plenamente cumprida. Pisos salariais, jornada, FGTS, férias e proteção previditária ficam aquém do esperado em grande parte dos empregos domésticos.
Além disso, quase 76% das trabalhadoras domésticas não possuem carteira assinada, segundo o Dieese em 2024. Essa informalidade eleva vulnerabilidade das mães e dificulta o acesso a direitos básicos.
Contexto social
A divisão de responsabilidades familiares está longe de ser equitativa. Em muitos lares, a criança depende da ajuda de instituições públicas para alimentação, saúde e educação, enquanto a mãe trabalha.
Papel do Estado e do empregador
O Estado enfrenta limitações de renda e estrutura para ampliar creches, habitação e serviços de convivência. Já o empregador é pressionado a cumprir a legislação, sob risco de violar direitos trabalhistas.
Caminhos e desafios
Especialistas apontam necessidade de fiscalização mais eficaz, melhoria de renda mínima e incentivo à formalização. A ética no uso de mão de obra doméstica é central para reduzir abusos e garantir condições dignas.
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