O Cerro de Porongos, em Pinheiro Machado, no Rio Grande do Sul, recebeu a visita do Iphan no dia 23 de abril. O objetivo foi subsidiar o parecer técnico para o tombamento do local, ligado ao massacre de soldados negros em 1844, fim da Guerra dos Farrapos. O processo de tombamento começou há 20 anos e deve chegar a uma decisão final em breve.
Segundo o Iphan, a análise busca evidenciar a importância de Porongos para a identidade negra gaúcha. O estudo envolve o Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização e o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. Com a aprovação, o bem integra um dos Livros Tombo.
O Iphan informou que a visita coletou informações sobre a área e o entorno. Esses dados embasarão diretrizes de gestão para o reconhecimento do bem cultural. A solicitação de tombamento foi apresentada em 2006 pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil.
Massacre dos Porongos
A área fica na zona rural de Pinheiro Machado e foi palco da execução de cerca de 100 soldados negros, em uma emboscada das tropas imperiais. A Guerra dos Farrapos envolveu a elite gaúcha e o objetivo de separação do governo imperial de Dom Pedro II.
Os Lanceiros Negros lutavam ao lado dos farrapos, esperando a liberdade em troca de sua participação. Existem controvérsias sobre versões oficiais sobre a entrega dos lanceiros ao império, sem que haja um consenso definitivo.
O episódio é considerado um marco na memória histórica gaúcha, relacionado a um conflito interno e à escravidão. A conclusão do tombamento deve consolidar o reconhecimento cultural do local no estado.
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