O Edifício Viadutos, localizado na Praça General Craveiro Lopes, Bela Vista, SP, foi inaugurado na década de 1950. Situado no cruzamento entre a Avenida Nove de Julho e o Viaduto Jacareí, ele rompeu com a sobriedade da época e virou símbolo do modernismo popular.
A obra é de Artacho Jurado e recebe destaque pela patente visual: curvas marcantes, pilotis cilíndricos e um topiário de vidro que coroam a estrutura. O conjunto mistura glamour de Hollywood com referências de art nouveau, art déco e neoclassicismo.
Nabil Bonduki, arquiteto da FAU-USP, afirma que a implantação realça a paisagem ao oferecer vistas para o Vale do Anhangabaú e as passarelas do centro, conectando Bela Vista, Bixiga, República e o centro histórico.
Ecletismo frente ao rigor paulista
O Viadutos é descrito como único, pois reúne modernismo, art déco e classicismo em um volume que se destaca na cidade. O projeto utiliza um hexágono irregular, varandas e um salão de festas na cobertura, reforçando a identidade do conjunto.
Ruy Debs Franco aponta que o papel da implantação é decisivo para a grandiosidade da obra, com o edifício ocupando o lote de esquina de forma marcante, além de ter atraído investimentos rapidamente via uma gestão de painel luminoso que gerava receita.
A estratégia imobiliária envolve coexistência de diferentes tipologias, permitindo diversificação de público e valorização imobiliária dentro de um único volume, conforme explica o professor.
A monumentalidade no horizonte paulistano
O Viadutos tem 30 mil m² de área construída, 27 pavimentos e abriga mais de mil moradores em 368 unidades, com 12 elevadores. O térreo é comercial, enquanto o topo abriga o salão de festas com vista 360° da cidade.
A assinatura visual inclui pastilhas rosa nas pilastras, verde na cobertura, balcões com guarda-corpos vazados e o salão suspenso por pilares azuis, referências que caracterizam a estética do conjunto.
O terraço panorâmico representa a inovação: espaço público-coletivo no topo, diferente da tradição de reservar a cobertura apenas para áreas técnicas. A cobertura amplia a sensação de convivência entre moradores.
Preservação e restauro do Viadutos
O edifício foi tombado pelo CONPRESP em 2002, o que impôs diretrizes que frearam reformas. Em 2014 houve restauro da fachada, marquise e áreas de lazer, custeado pelos condôminos após o insucesso na captação via Lei Rouanet.
A restauração preservou a fachada, o topo e o térreo, assegurando a presença do Viadutos na paisagem central de São Paulo, mesmo diante de restrições do tombamento e custos de atualização funcional.
O Viadutos como patrimônio afetivo
O edifício continua sendo referência de Artacho, com cores e volumetrias que marcam a paisagem, e é lembrado como precursor de modos de morar contemporâneos. O tombamento ajuda a manter seu protagonismo visual e histórico.
Entre na conversa da comunidade