O 1-54 Contemporary African Art Fair retorna ao Starrett-Lehigh Building, em Chelsea, nos Estados Unidos, reunindo mais de 20 galerias ligadas à diáspora africana. O evento segue aberto ao público até domingo, com foco especial em perspectivas afro-brasileiras durante a abertura de previews, que contou com participação de galerias pela primeira vez vindas de Lagos, São Paulo, Nassau e Nova York.
A curadoria destacou narrativas que cruzam o Brasil e a África, em um formato que mistura surrealismo, história e imaginação. O público acompanhou obras que exploram memória, identidade e questões sociais, apresentadas por galerias com atuação global. A atmosfera foi de expectativa entre críticos, curadores e colecionadores.
Sulette van der Merwe em Blond Contemporary
A Blond Contemporary, de Londres, apresenta pinturas fantasmagóricas da sul-africana Sulette van der Merwe. As obras dialogam com o surrealismo e discutem a formação da consciência, segundo a galeria. A técnica lembra colagens, mas tudo é pintado em superfícies que simulam estar conectadas.
Modou Dieng Yacine na 193 Gallery
Na 193 Gallery, com espaços em Paris, Veneza e Saint-Tropez, aparecem pinturas de Modou Dieng Yacine inspiradas em lutadores senegaleses. As obras trazem potência visual e uma leitura de identidade negra como figura quase abstrata, construída a partir de fotografias.
Black Forest Library
A instalação especial Black Forest Library, apresentada pela 1-54, é fruto de parceria com Ekene Ijeoma. Mil caixas marrom-escuro, no esquema Pan-African, abrigam livros sobre justiça racial, conservação e história do dub. O projeto inclui plantas e objetos, conectando arte e ação comunitária.
Rommulo Vieira Conceição na 22 Aura
Rommulo Vieira Conceição, natural de Salvador e radicado em Porto Alegre, utiliza alumínio anodizado para criar obras que articulam tradição e realidade contemporânea. Um conjunto de azulejos coloridos forma padrões geométricos, enquanto ondas azuis sugerem transformação.
Brasil além do Brasil
A seção curada Brasil além do Brasil reúne 10 artistas selecionados por Igor Simões. A curadoria afirma que arte brasileira é arte negra brasileira e vai além do que historicamente ocupou o centro do debate. Entre as peças, destaca-se um grande trabalho de Jaime Lauriano sobre a chegada dos portugueses em 1500, com elementos sombrios sobre as embarcações. Um conjunto de damas brancas em um tabuleiro de xadrez, junto a peões pretos, compõe outra leitura crítica da identidade nacional.
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