A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é apontada como um dos principais desafios da política educacional brasileira. Dados do IBGE e da Pnad Contínua indicam que 64 milhões de brasileiros não concluíram a educação básica. O tema foi debatido no Festival LED, realizado no Pier Mauá, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (15) e segue até sábado.
A mesa “EJA e Agência Transformadora ao Longo da Vida” reuniu representantes da educação e do trabalho. Participaram Diego Leonardo, da Secretaria Municipal de Educação do Rio; João Victor Motta, do Ministério do Trabalho; Thais Ciardella, da Roda Educativa; e Marinete Loureiro, da Fundação Roberto Marinho. A mediação ficou com Bia Lima.
Diego Leonardo afirmou ao Valor que a EJA deve ser tratada como política pública de direitos, não como ação isolada. Qualificação da educação básica pode abrir portas de inserção no mercado. No Rio, a rede municipal oferece EJA em 149 escolas, incluindo uma unidade exclusiva em Campo Grande.
Ao todo, 17 mil estudantes estão matriculados em 945 turmas na cidade. Além disso, cerca de 1,1 milhão de pessoas com 15 anos ou mais não terminaram o ensino fundamental, segundo o Censo de 2022 do IBGE. A estimativa de analfabetismo acima de 15 anos é de aproximadamente 120 mil pessoas, no município.
Para o debate, ficou claro que a evasão está ligada à necessidade de trabalhar e a desigualdades sociais. Motta ressaltou que emprego e responsabilidades de cuidado levam à interrupção dos estudos. Aumento da oferta, segundo Leonardo, não basta; é preciso garantir permanência.
Especialistas destacaram a importância de maior articulação entre governos, empresas e organizações civis. O objetivo é ampliar o alcance da EJA e reduzir a evasão, ampliando a qualificação, as oportunidades de trabalho e o acesso a direitos. No panorama nacional, 1,5 milhão de pessoas estão matriculadas na EJA, segundo o INEP/MEC.
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