Ana Clara Antero de Oliveira, 21 anos, sofreu tentativa de feminicídio em Quixeramobim, interior do Ceará, com mutilação de membros. Em 15 de maio, quinze dias após a cirurgia de reimplante, a jovem já movimenta dedos e aprendeu a usar o celular com os pés, habilidade que facilita sua interação nas redes sociais.
A agressão ocorreu na noite de 1º de maio, quando Ana Clara estava com o companheiro e o cunhado na residência. Segundo o Ministério Público do Ceará, Evangelista dos Santos e Ronivaldo dos Santos atacaram a vítima com uma foice após desentendimento, deixando-a com amputação de mão direita e lesões graves no braço esquerdo, ombros e pernas.
A jovem foi socorrida por vizinhos e submetida a uma cirurgia de emergência no mesmo dia para o reimplante das mãos. Ao longo da internação, foram realizadas duas novas cirurgias, incluindo a reconstrução de um tendão e a substituição de uma artéria, conforme informações oficiais.
O caso teve desdobramentos ainda na madrugada de 2 de maio, quando a Polícia Civil iniciou as diligências para localizar os suspeitos. Ronivaldo estava em Madalena, e Evangelista foi detido em uma residência no bairro Conjunto Esperança, em Quixeramobim, com a foice usada no ataque e roupas com manchas de sangue.
Entre as informações recebidas pela polícia, constam diálogos obtidos após a quebra de sigilo de celulares. As mensagens indicaram que Evangelista pediu dinheiro ao irmão para fugir, e que Ronivaldo demonstrou preocupação apenas com as consequências legais para si próprio. O pai da dupla, Raimundo Nonato Acioli dos Santos, informou onde eles eram encontrados.
A dupla foi presa no dia do crime e transferida para um presídio na Região Metropolitana de Fortaleza. A defesa e o Ministério Público seguem em tratativas para o andamento do processo, que envolve denúncia por tentativa de feminicídio e pedido de indenização de 97 mil reais à vítima, valor que pode ser ajustado pelo juiz.
Ana Clara permanece em tratamento no Hospital Instituto Doutor José Frota, em Fortaleza, sob acompanhamento de uma equipe multidisciplinar que inclui psicólogos e assistentes sociais. A evolução clínica tem sido monitorada com diagnósticos frequentes sobre fisioterapia e terapia ocupacional.
Do ponto de vista técnico, a investigação indica que a briga teve início com consumo de álcool, seguida de uma discussão que terminou com a invasão de Evangelista na residência. As câmeras registraram a escalada do ataque, que culminou na amputação das mãos da vítima, segundo o relatório policial.
O Ministério Público ressalta que a ação dos irmãos demonstrou a gravidade do crime e aponta para uma relação de controle sobre a vítima. O processo aponta a motivação como relacionada a questões de convivência e suposta possessão, com o desfecho trágico que colocou Ana Clara em recuperação e em foco de atenção pública.
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