Eliane Dias, Maria Homem e Ângela São José debateram, neste sábado, 16, os desdobramentos da criatividade e da cultura nas periferias durante o Side Event do SPIW no CEU Heliópolis. O encontro discutiu como transportar potências locais para além das comunidades e ampliar espaços de expressão.
A fala de Maria Homem enfatizou a importância de o CEU abrir espaços para subjetividades, com foco no encontro entre o eu, o outro e o mundo. Ela defendeu que cultura na prática envolve interação, respeito e a construção de ambientes que acolham a diversidade.
Eliane Dias, advogada e CEO da Boogie Naipe, apontou que ainda há caminho para levar os debates culturais às periferias. Ela ressaltou a necessidade de a juventude sentir impulso para lutar por ações próprias, mesmo diante de desafios.
Ângela São José, líder comunitária, destacou o papel da biblioteca municipal de Heliópolis na formação de jovens. O espaço, que atende cerca de 10 mil pessoas, soma acervo de 13 mil itens e utiliza atividades artísticas para aproximar público e temas importantes, como tolerância religiosa.
A música como ponte
Eliane descreveu como a música ajuda a ouvir as periferias e citou o impacto do Racionais MCs na autoestima de jovens. Segundo ela, o grupo influenciou a percepção de identidade e estimulou a autonomia para questionar decisões sem se submeter a pressões externas.
Dá para fazer acontecer
Ao discutir a ocupação de espaços, Maria Homem ressaltou a necessidade de ampliação de espaços de socialização que não dependam apenas de redes religiosas. Ela observou que a demografia aponta para uma maioria de mulheres negras, pobres e periféricas no universo evangélico, que influencia o cenário político e social.
Desafios para mudar
As palestrantes destacaram dificuldades para consolidar potências periféricas como fatos reconhecidos, não exceções. Eliane mencionou o conformismo de novas gerações e a exigência de trabalho árduo para alcançar autonomia e visibilidade.
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