O projeto Ninar nos Terreiros celebra uma década de atuação em Recife, promovendo cuidado, saúde e resgate cultural em espaços de matriz africana. A programação de comemoração ocorre nesta quarta-feira (20) com foco em ações práticas e debates técnicos. A iniciativa integra saberes tradicionais ao atendimento básico de saúde, buscando equidade e acolhimento.
Ao longo dos 10 anos, a ação tem enfrentado desigualdades sociais e preconceito religioso, aproximando serviços da comunidade. O movimento recebeu reconhecimento da Opas, destacando a abordagem humanizada e inclusiva. A programação desta semana reforça o papel dos terreiros como polos comunitários.
Mutirão de saúde e oficinas culturais no Terreiro de Pai Adão
As atividades acontecem no Terreiro de Pai Adão, no bairro Água Fria. O mutirão atende crianças da comunidade, estudantes, familiares e moradores da região, reunindo serviços de saúde e ações pedagógicas.
Ações previstas incluem atualização de vacinação infantil, imunização de gestantes e orientações de saúde bucal, além de vigilância ambiental com vacinação de animais e informações sobre arboviroses como dengue, zika e chikungunya.
Cultura e lazer também marcam presença, com contação de histórias da mitologia yorubá, oficinas de bonecas Abayomi e dinâmicas educativas, além de uma Oficina de Agricultura Urbana para estimular os sentidos na primeira infância.
Seminário sobre saberes ancestrais e cuidado
Na vertente teórica, o Auditório Capiba recebe um seminário que apresenta diretrizes técnicas. O evento marca o lançamento do Documento Orientador do projeto, guia para articular medicina tradicional com atendimento na atenção básica.
Participam profissionais da saúde, lideranças comunitárias e representantes de órgãos internacionais, incluindo Unicef, além de técnicos do Ministério da Saúde. Painéis discutem cuidado materno-infantil, estratégias antirracistas na infância e impactos do racismo religioso no acesso aos serviços públicos.
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