Vitória Martins, de Cascavel, no Ceará, participou de aulas de educação financeira em uma escola pública aos 11 anos. O conteúdo ensinou que soluções para a renda familiar podiam nascer do manejo do que já tinham em casa.
Ao conhecer jogos educativos promovidos pelo Instituto Brasil Solidário, em 2017, a jovem sugeriu à mãe e à avó que começassem a vender ovos para a comunidade rural onde moravam. A ideia ganhou vida e passou a sustentar a casa.
Valdenice Silva, hoje com 42 anos, passou por uma fase de desemprego e, com a venda de ovos, manteve quatro filhos. Os ganhos diários ficaram entre 25 e 100 reais, permitindo planejar as contas e evitar dívidas.
A renda extra ajudou a retomar os estudos. Valdenice voltou a estudar e, com o tempo, conseguiu um emprego formal em 2021. A mãe passou a ter maior estabilidade para equilibrar trabalho e educação dos filhos.
Vitória, que hoje tem 18 anos, decidiu manter o foco nos estudos. Aprimorou o objetivo de frequentar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e planeja futuramente cursar fisioterapia.
O incentivo veio principalmente da filha. Ela observou a dedicação de Vitória para buscar a qualificação, mesmo em meio a dificuldades do cotidiano, como o transporte e a jornada dupla de trabalho.
A mudança também envolveu a avó Maria Alice, que enfrentou problemas de saúde e faleceu em 2025 após AVCs. A família atribui a educação financeira ao novo andamento da vida de três gerações.
Hoje, Valdenice projeta novos avanços. O objetivo é continuar estudando, consolidar a formação da filha e alcançar moradia própria, com o sonho de atuar como fisioterapeuta no futuro.
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