Em Alta Eleições 2026 PolíticaNotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasConflitoseconomiaFutebol

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

O apagamento da artista barroca Miquelina Constânica das Chagas

Pintora e douradora paulistana do século XIX, Miquelina Constância das Chagas comandou oficinas e ornamentou igrejas, embora sua memória tenha sido apagada

Miquelina comandou por 15 anos a restauração da igreja da Ordem Terceira de São Francisco
0:00
Carregando...
0:00

Miquelina Constância das Chagas, pintora e douradora, atuou entre 1820 e 1840 em São Paulo, trabalhando principalmente em igrejas da cidade. Parda, alfabetizada e mãe, comandou uma equipe de artesãos e desempenhou papel relevante na ornamentação sacra.

Pouca documentação sobrevive sobre a artista, cuja vida parece ter sido apagada pela história até recentemente. Pesquisas indicam que Miquelina levou a cabo pintura e douração em madeira, executando serviços para ordens religiosas e confrarias. Seu registro mais extenso ficou ligado à igreja de São Francisco, onde atuou por cerca de quinze anos.

Contexto e obras

A atuação de Miquelina inclui a douração de três altares na igreja da Ordem Terceira de São Francisco e a ornamentação da sacristia da Ordem Terceira do Carmo, além da decoração da igreja Nossa Senhora da Boa Morte. Entre 1826 e 1848, ela consolidou-se como mestre da pintura sacra na capital paulista.

Pesquisa da historiadora Danielle Manoel dos Santos Pereira (Unifesp), baseada em recibos de prestação de serviços e no censo de 1836, oferece um retrato mais preciso. Nessa documentação, a artista declara casar, se identifica como parda, tem 37 anos e uma filha de cinco, Maria. Revela também moradia no distrito norte da Sé.

Os recibos demonstram a qualidade da escrita de Miquelina e citam, entre seus oficiais, nomes como Massimo, Francisco e Domingos. O trabalho com a irmandade da Boa Morte, iniciado em 1830, e a conclusão de projetos na igreja do Carmo sinalizam a complexa gestão de obras da artista.

Relevância histórica

A figura de Miquelina é marcada pela raridade de uma mulher que, além de pintora, dirigia uma equipe de artesãos em pleno século XIX. A menção de Mário de Andrade, que a identificou, contrasta com o silenciamento anterior da historiografia sobre artistas mulheres. Pesquisas contemporâneas revelam o alcance e o alto nível de sua arte.

Além de Miquelina, há registro de outra mulher ligada à pintura sacra paulista do período, Anna da Conceição, religiosa do Mosteiro da Luz. A presença feminina no meio artístico da época, embora subaproveitada, mostra que o protagonismo feminino era mais presente do que a tradição reconhece.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais