Luis Castilleja, conhecido como El Temach, deixou de atuar em Hollywood para se tornar a principal influenciadora da chamada manosfera na América Latina, com mais de 11 milhões de seguidores. A transformação ocorreu ao longo de uma década, do sonho de ator à persona de autoajuda masculina com tons misóginos.
A BBC investigou El Temach e outros 15 influenciadores da região, África e Ásia, para entender o alcance e o impacto. O trabalho mostrou que, nos últimos três anos, o número de seguidores desses criadores quase triplicou.
Além de Castilleja, a reportagem acompanha Andrew Kibe, figura de destaque no Quênia. Ambos repetidamente criticam mães solteiras e acusam mulheres de serem interesseiras, segundo a análise da BBC.
Fontes citadas afirmam que os criadores ganham valores significativos com conteúdos, shows e mercadorias. A BBC também levantou dados sobre as receitas oriundas de transmissões ao vivo e produtos, sem detalhar valores exatos.
Alex Castilleja, irmã de El Temach, relata ruptura entre as versões do irmão: a jovem descreve uma transformação de idealismo para um suposto messias de um movimento. Ela não mantém contato há cerca de dois anos.
A irmã sugere que o conteúdo passou a refletir mais interesse financeiro do que convicções, com o autor buscando pautas que gerem engajamento e lucro.
Durante a visita da BBC a um show em Las Vegas, Castilleja foi confrontado pela equipe de reportagem, mas a segurança afastou o grupo. A produção planejava entrevistas em tour nos EUA antes do pedido do artista para participar.
Do espaço de shows à presença online, o material indica que o público acompanha conselhos de disciplina, autoconfiança e papéis tradicionais de gênero, apresentados como soluções para insatisfações de jovens homens.
Especialistas dizem que esse tipo de conteúdo pode afetar relações reais, especialmente entre mulheres e homens, ao reforçar estereótipos e justificar comportamentos controladores.
Estudiosos apontam que não é apenas uma figura isolada: o fenômeno da manosfera cresce em várias regiões, alimentado por narrativas de que igualdade de gênero trouxe perdas para homens.
A reportagem ressalta ainda que parte do público jovem, inclusive na Geração Z, aponta benefícios subjetivos ao seguir esses influenciadores, como sensação de pertencimento e orientação de vida.
A BBC destaca que, apesar da monetização expressiva, as fontes envolvidas não abrem mão de avaliar impactos sociais, incluindo impactos em relacionamentos e atitudes em torno de mulheres.
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