O caso de Ravi Oliveira Dias, de 1 ano e 9 meses, acendeu o alerta para acidentes com linhas cortantes em Belo Horizonte. O bebê morreu após ser atingido no pescoço por uma linha de cerol, no bairro Arvoredo II, em Contagem, na região metropolitana da capital. A linha ficou presa no guidom de uma motocicleta, que passou pela rua, e ao ser puxada atingiu a criança.
Dados do Hospital João XXIII indicam aumento no número de ocorrências envolvendo linhas cortantes na cidade. Entre janeiro e abril de 2026, a unidade atendeu 12 casos desse tipo. No ano de 2025, foram registradas 24 ocorrências, com os acidentes ocorrendo mesmo diante da proibição de venda e uso de cerol e linha chilena em Minas Gerais.
A Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) confirma atendimentos também em UPAs, com o João XXIII recebendo os casos mais graves. Especialistas apontam que baixa fiscalização, fácil acesso ao material e falta de conscientização colaboram para o crescimento, principalmente entre motociclistas, ciclistas e pedestres.
Cenário e desdobramentos
Em Contagem, a Polícia Militar confirmou a morte de Ravi e informou que uma linha cortante foi envolvida. Um jovem de 19 anos foi levado à delegacia suspeito de utilizar linha chilena para soltar pipas. A PM afirmou que ele admitiu o uso do material, embora alegasse não estar empinando no momento.
Outro registro ocorreu no dia 3 de maio, no bairro Serra Verde, em Belo Horizonte. O motociclista Luiz Carlos Silva Rosa, de 42 anos, foi atingido no pescoço por linha chilena e precisou de 10 pontos. Ele relatou ter chegado perto da morte e criticou a falta de fiscalização.
Medidas e atuação das autoridades
A Guarda Civil Municipal informou que realiza rondas preventivas ao longo do ano para coibir o uso de cerol e linhas cortantes. Agentes abordam quem é flagrado soltando pipas e encaminham irregularidades à Polícia Civil; menores são encaminhados ao Juizado da Infância e da Juventude, com acompanhamento dos responsáveis.
A prefeitura destaca a campanha educativa Cerol Não É Brincadeira, com ações em escolas e espaços públicos, principalmente nos períodos de maior incidência. Denúncias podem ser feitas pelos telefones 153 (Guarda Municipal) e 190 (Polícia Militar), além do portal de serviços da prefeitura e do BH SIM.
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